Parou de ler? Como retomar o hábito de leitura sem culpa
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RáDio, Mulheres e ResistêNcia
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O livro Guerrilheiras da palavra. Rádio, mulheres e resistência traz um tema inovador e ainda pouco estudado no Brasil sobre o papel reservado às mulheres na sociedade timorense. A expressão "tão longe, tão perto", com que a autora introduz sua obra, mais do que apresentar Timor-Leste, pode ser vista também como uma senha para ler uma bela experiência: a de seu fabuloso mergulho no primeiro país a nascer nesse conturbado século XXI. Na verdade, em 2002 nasce o estado nacional, porque o seu território abriga histórias e culturas que, atravessando o tempo, impõem-se como um raro exemplo de resistência a tantas invasões. Associando vozes de muitas origens, no canto que ecoa daquela parte de uma pequena ilha, temos o ritmo de uma luta constante que nos fala da barbárie como dominante no itinerário dos povos. Suas várias notas e a necessidade/capacidade de combatê-las estão entre as lições do povo timorense, como a autora nos faz recordar. Para nos conduzir por esse roteiro, ela escolhe um caminho múltiplo, que, na tentativa de desvendar as veredas de uma intensa guerrilha, articula o lugar das mulheres, o papel das comunicações - com nítido destaque para o rádio, e a energia das matrizes da tradição, cujo desenho mais expressivo projeta-se na oralidade, uma poderosa fonte de conhecimento e troca no contexto timorense. O sentido da multiplicidade é um traço do movimento que a autora imprime ao seu texto, norteado pelo desejo de trazer para o leitor o que ela apreendia em seu trânsito pela pequena ilha. E abre-nos o mundo de lendas, de canções, da literatura de Luís Cardoso, dos programas de rádio, da valorosa história das mulheres da guerrilha que ocupam a sua maior atenção. No contato com a efervescência desta construção inscrevem-se alguns dos caminhos da reflexão que nos convidam agora uma viagem por um país fascinante do qual pouco sabemos. Por essas vias, a autora empenha-se por quebrar a distância e conferir outro significado à expressão com que abre seu texto: "Timor, tão longe, tão perto".
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