Por que reler um livro é sempre uma experiência diferente
Reler um livro que você amou parece perda de tempo quando há tanto ainda para ler. Mas a releitura revela camadas que a primeira passagem não alcança, e diz algo sobre quem você se tornou.
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A trajetória de Grande Otelo funciona neste livro como um eixo transversal que nos permite percorrer diferentes momentos na história do cinema e do racismo brasileiro. O corpo do ator, homem, preto e miúdo, se inscreve,entre outros, na sintaxe da chanchada, nos filmes da Cinédia, em policiais da Atlântida, nos fragmentos de It’s All True (1942) de Orson Welles e no comentário pós-Cinema Novo de Nem tudo é verdade (1985) de Rogério Sganzerla,passando por Rio, Zona Norte (1957) de Nelson Pereira do Santos, marco do realismo independente, e por Macunaíma (1969), filme em que o cinema novista Joaquim Pedro de Andrade se aventura na literatura modernista e na chanchada. (…) Ao captar a relevância do itinerário de Grande Otelo, inclusive para a compreensão das proposições de ruptura estética, Grande Otelo contribui para salientar a relevância da raça em momentos-chave da história do cinema brasileiro.
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