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Artes

Giulio Romano - a Terceira Maniera

1ª Edição128 páginasDafne Editora (Portugal)po
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Sinopse

A obra arquitectónica do pintor Giulio Romano transporta desde o início os sinais de conflito ideológico e marca a mudança para uma linguagem sem respeito e sem regras. Como acreditar nas verdades defendidas pelos condutores dos negócios da fé, quando dados à exibição do luxo que não escondia a luxúria, habituados à intriga no ambiente corrupto das práticas de todos os comércios? Esse tempo de crise originou tendências antagónicas no mundo das artes e um sentimento generalizado de inquietação. Contradições internas saídas do individualismo no modo de encarar a dúvida, explicam o ecletismo e a diversidade de maneiras para enfrentar os caminhos da produção artística. A transgressão premeditada de regras clássicas como a simetria, organização perspéctica, proporcionalidade e sequências, passou a constituir programa pessoal de cada pintor ou arquitecto, prevalecendo a ambiguidade, o arbitrário e o gosto pela afirmação do profano contra o sagrado, do erotismo contra o discurso da moral pública. Se as primeiras obras de Roma realizadas por Giulio Romano revelam já indícios da descrença nos enunciados formais do modo antigo, foi na produção para o duque de Mântua que melhor se exprimiu o seu génio irreverente, com recurso à transgressão sistemática dos códigos de receitas clássicas. Amante do desenho erótico, pintor de fantasias mitológicas em perspectivas dos mais estranhos ângulos, aplicou na concepção de palácios todas as artimanhas do fingimento, para iludir o sentido normal dos usos e ridicularizar a nobreza das formas construídas. O falso aparelho almofadado romano, porque executado em barro em vez de pedra, transformou-se em ciclópico. Taparam-se arcos e vãos, negando-lhes o sentido de passagem. Enrolaram-se as colunas, suspensas das paredes que deviam justificar. O código das receitas clássicas funcionou apenas como garantia do efeito transformador, referência para a compreensão dos erros. Não se pode considerar que o recuperado tratado de Vitrúvio constituísse um código de linguagem arquitectónica assente num conjunto coerente de regras. Mas a vontade de acreditar na existência de um sistema organizado de saberes, levou alguns intelectuais a acreditar que aquele testemunho do arquitecto de César abria caminho até à divina perfeição. O texto de Vitrúvio, mais precoce que o Império Romano organizado, não tinha uma tão grande ambição. Os primeiros humanistas dedicaram-se a procurar e interpretar quantos possíveis escritos e documentos pudessem existir e até a reescreve-los, para divulgar as suas reflexões filosóficas e científicas.

Detalhes do livro

Título
Giulio Romano - a Terceira Maniera
Autor
Domingos Tavares
Editora
Dafne Editora (Portugal)
Ano
2026
Páginas
128 páginas
Idioma
PO
ISBN-13
9789898217219
Edição
1ª Edição
Formato
Brochura

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