Como ler mais livros: 10 hábitos dos leitores que devoram 50 livros por ano
Ler 50 livros por ano parece impossível? Não para quem adotou os hábitos certos. Descubra as estratégias usadas por leitores vorazes para encaixar mais leitura no dia a dia.
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Paraíso, do fotógrafo e artista visual pernambucano Gilvan Barreto, é um livro que aborda a relação entre fotografia e texto ao investigar imagens que insinuam como uma paisagem paradisíaca pode ser capaz de camuflar tramas de injustiça – expondo, de maneira visual e simbólica, feridas abertas nas terras brasileiras. Nas palavras do organizador, o professor, pesquisador e curador Diogo Matos, trata-se de uma “antologia de ordem poética e histórica”: fotografias avulsas, séries fotográficas, livros reinterpretados, colagens, filmes e registros de ação que se combinam, formal e conceitualmente, numa costura aberta e em rede da produção artística e imagética de Barreto, criando diálogos e contrastes, silêncios e discursos. O que é paraíso? Uma fantasia, uma sensação, um fragmento de tempo? Ou, como define o artista, “uma fotografia meticulosamente enquadrada, uma imagem que esconde mais do que mostra”? Gilvan Barreto quer ver e mostrar o que ficou de fora – um paraíso que é escudo e fachada: “Ha´ séculos a memória desta terra e´ forjada pelo uso sistemático da violência. Os ciclos de intimidação são constantes e têm o mesmo alvo de sempre: o meio ambiente e as comunidades mais vulneráveis.” Ao longo das páginas, numa narrativa que o artista compara a um longa-metragem, imagens e textos dialogam entre si: fotos se intercalam a um corpo de sinopses que ancora a leitura, uma longa entrevista que verbaliza intenções e processos de trabalho e um ensaio do organizador que avança criticamente na leitura de um fazer que é artístico e político. Trechos: “(...) poderíamos dizer que Paraíso é um filme. Entendo-o como um longa-metragem que, mesmo sem essa intenção, venho fotografando há quase três décadas com técnicas e estratégias diversas e sob a influência de momentos políticos diferentes. É, portanto, uma produção múltipla, fragmentada. Um roteiro escrito a partir da natureza, como se a paisagem fosse uma folha em branco na qual o homem registra e revela sua história. E o resultado, as marcas no meio ambiente, expressa quão civilizada é a nossa sociedade. Além de reagir a algumas das violências formadoras deste país, Paraíso expõe as cicatrizes e as feridas ainda abertas nesta terra. Mais que isso, especula sobre quanto a exuberância da paisagem é usada para encobrir injustiças”. (Gilvan Barreto) “Este é um livro de prospecção pela obra e trajetória do artista Gilvan Barreto; a realização de uma antologia de ordem poética e histórica. O árduo trabalho coletivo que se materializa nesta publicação percorreu longos caminhos de tradução da imagem fotográfica para o espaço narrado do papel a ser manuseado. Traçamos rotas, forjamos histórias e construímos essencialmente uma aventura que complexifica a relação entre fotografia, texto e história – esta dedicada ao Brasil, país do qual falamos e que vivenciamos.” (Diego Matos)
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