Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
Monumentos em Tempos de Iconoclastia
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Conflitos em torno do passado parecem ocupar o centro do debate e do enfrentamento de diferentes grupos sociais em variadas partes do mundo. O presente livro é o resultado das reflexões das cinco autoras sobre as disputas da memória social e sobre os usos políticos do passado. Interessou-nos identificar diferentes gestos mnemônicos envolvidos no movimento iconoclasta atual, que procuraram exacerbar a dimensão performática e política da memória. Acionamos conceitos que já estávamos elaborando em diálogo permanente com autores decoloniais e canônicos sobre memória e iconoclastia. Foi assim que chegamos à concepção de violência narrativa, isto é, de um encadeamento sígnico que permite não só narrar traumas do passado, mas constituir-se em elemento comunicacional, passível de análises, próprio dos discursos. Também retomamos e reforçamos a noção de gestos mnemônicos e iconoclastas, frequentes na vida cotidiana, especialmente em centros urbanos. Embora geralmente despercebidos pelo senso comum, carregam múltiplos sentidos. Estátuas decapitadas ou manchadas por tintas e demais substâncias materializam os incômodos que provocam em determinados grupos sociais, normalmente os subalternos ou os silenciados, ou, no caso do simbólico 8 de janeiro brasileiro de 2023, dos que não querem perder a posição hegemônica que ocupam. Menos que condenar ou aplaudir intervenções sobre figuras ou monumentos nos espaços públicos, buscamos descortiná-los. Nosso gesto mnemônico e de resistência é a escrita acadêmica, ferramenta por meio da qual analisamos os fenômenos do passado, do tempo presente e suas múltiplas disputas de sentidos, tarefa imprescindível para o exercício pleno da cidadania.
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