Literatura africana contemporânea: vozes que o mundo precisa ouvir
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Edição inédita no Brasil do único romance abolicionista de Alexandre Dumas, que declara seu compromisso com seus “irmãos de raça e amigos de cor”. Com apresentação especial que situa a questão racial na vida e na obra deste célebre autor cuja negritude foi apagada. Alexandre Dumas ajudou a construir o imaginário da literatura ocidental com Os três mosqueteiros e O conde de Monte Cristo . Porém, antes da fama literária, Dumas publicou, em 1843, Georges , um romance com temática abolicionista e protagonizado por um “orgulhoso mulato” que se alia aos escravizados nas Ilhas Maurício, então uma colônia francesa, para sonhar um “futuro de vingança e liberdade”, entrando numa guerra mortal contra o preconceito e a escravidão. Dumas, orgulhosamente neto de uma africana cujo sobrenome adotou como parte do seu nome artístico, não se ocupou apenas das intrigas e disputas na Corte francesa ou das injustiças e traições que acometem nobres homens na França. De Paris, o autor sentia os ventos da revolução haitiana que sopravam do Caribe e aterrorizavam a Europa e, inspirado pelos escravos revoltos e pela sua experiência de não-lugar como homem negro na França do século XIX, ousou fazer da literatura sua arma de combate. Georges, um jovem audacioso, honesto e justo, é a gênese do espírito guerreiro e destemido que se manifesta nos inesquecíveis mosqueteiros, encarnando, com seu desejo de justiça e de vingança contra os poderosos, ideais que moveriam as sagas do autor. Imprimindo contornos dramáticos a escravizados que desejam se libertar, Dumas nos conduz numa viagem histórica em que a aventura maior é a luta pela humanidade da população negra, tornando-a um veículo para defesa de sua ancestralidade africana.
ALEXANDRE DUMAS foi um dos maiores e mais populares escritores franceses do século XIX. Único autor negro no Panteão de Paris, Dumas popularizou o romance histórico e escreveu clássicos da literatura ocidental que foram traduzidas para cerca de uma centena de idiomas e inspiraram mais de 200 filmes, como O conde de Monte Cristo e Os três mosqueteiros – cuja tradução de André Telles e Rodrigo Lacerda recebeu prêmio Jabuti na categoria Tradução Francês-Português.
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