Como criar (e manter) o hábito de leitura de uma vez por todas
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A constituição social e histórica do Brasil pode e deve ser entendida como específica frente às outras nações, todavia seria uma ilusão acreditar ser ela alheia ao movimento do mundo e às reviravoltas do capital. Dessa feita, os esquemas e conceituações mentais forjadas nos países centrais do capitalismo, principalmente na Europa, apesar de nos serem indispensáveis, são inadequados e padecem de abstracionismos fatais para os que querem entender e transformar a conformação material de nosso país. à vista disso, alguns pretendem dispensar as teorizações a fim de serem fiéis aos fatos brutos; outros, por seu turno, intentam desprezar os fatos com o propósito de servirem lealmente a um campo teórico específico. As teorizações, ensaios e autores sobre os quais nos debruçamos neste livro propõem outra postura intelectual, a saber: que teoria e dados da realidade andem de mãos dadas, a partir da ideia de que os objetos de pesquisa a serem enfrentados possuem primazia em relação às construções mentais. Não obstante, estas não devem ser dispensadas, mas criativamente ajustadas e aclimatadas em uma realidade distinta daquela em que se origina, produzindo resultados importantes para a crítica do presente em geral. Pode-se dizer que o desbloqueamento da passagem de uma situação de heteronomia colonial para a de autonomia nacional galvanizou os esforços de uma miríade de autores que tentaram superar a existência de um foço "civilizacional" entre os países do centro e da periferia capitalista; de sorte que, entre o propósito descritivo e o normativo, esse conjunto de intelectuais pretendia dotar de ossatura a nossa estrutura social violentamente amorfa. Dentre esses intelectuais, poderíamos destacar Caio Prado Jr., Celso Furtado, Antonio Candido e Gilda de Mello e Souza. E é justamente sobre esse corpus ensaístico, e seus desdobramentos, que esse livro se concentrará, isto é, nas autoras e autores do que se convencionou chamar de tradição da formação. Mas, além disso, intentamos mostrar como esses escritos e ideias são essenciais, até hoje, para se refletir sobre o pensamento político e social brasileiro e como ponto de vista crítico essencial aos intelectuais periféricos.
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