Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
De 1984 a Jogos Vorazes, a ficção distópica é o gênero que mais acerta sobre o futuro. Uma análise de como esses livros moldaram o debate político e social.
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Fenomenologia do mundo natural leva a cabo uma reflexão urgente no nosso mundo contemporâneo, assolado por crises ambientais e pela consciência tardia de que o homem vem insistentemente destruindo o nosso maior patrimônio comum, o planeta Terra: é necessário refazer o vínculo umbilical que nos liga ao mundo que nos circunda, acolhe e domicilia. Em seu nono livro – o quarto pela 7Letras –, o estudioso e pensador Ronaldes de Melo e Souza toma como ponto de partida um antigo fragmento estoico atribuído a Crisipo, em que, talvez pela primeira vez, se define o mundo natural: “O Kósmos é o sistema do Céu e da Terra e de todos os entes naturais que neles se encontram”. O lugar “onde a terra e o céu se circunferem”, para dizer como Guimarães Rosa, é o horizonte. Além do horizonte, céu e terra são indistintos; aquém do horizonte, as duas potências se acasalam na gestação do mundo. Rastreando, inicialmente, na companhia de poetas como Homero e mitólogos como Eudoro de Souza, a mitologia dessa estranha linha visível aos olhos, mas inalcançável aos passos, simultaneamente princípio de delimitação e de abertura ilimitada, o ensaísta faz do horizonte a nota dominante de uma bem orquestrada sinfonia pensante, que se ramifica e desdobra em inúmeros passos e trâmites, mas sempre se reencontra consigo mesma no firme propósito de entoar o canto de louvor ao mundo natural.
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