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Há um século a humanidade viu o fascismo chegar ao poder na Itália e espalhar suas ramificações pela Europa e pelo mundo. Ao longo dos anos, houve períodos em que parecia impossível afirmar que algo próximo ao fascismo poderia retornar, mas os regimes e personalidades que emergiram nas últimas décadas deixaram claro que a sombra do fascismo está viva e atuante. Na contracorrente da historiografia dominante sobre o tema, este livro se debruça sobre as insistentes tentativas de acomodação da ideologia fascista com o liberalismo. A tese é que longe de negar o projeto fascista, tais esforços de “normalização” representaram uma estratégia para torná-lo perene. Combinando farta pesquisa em arquivos primários e notável rigor sociológico, o cientista político Alvaro Bianchi oferece um raio-x do liberal-fascismo. Embora centre sua investigação na Itália – cotejando as aproximações entre o movimento liderado por Mussolini e a obra de pensadores liberais como o economista Vilfredo Pareto e o filósofo Giovanni Gentile –, o autor examina as características antiindividualistas, antinaturalistas e antidemocráticas dessa corrente política híbrida também em países da América Latina. O resultado é uma contribuição original que não só ilumina o fascínio que o fascismo exerceu sobre os liberais, como fornece um precioso instrumental para compreender o neofascismo e o pós-fascismo atuais. Trecho “O liberal-fascismo, como é chamado aqui, era uma corrente intelectual marcada por três principais características. Primeiro, rejeitava uma visão atomista e naturalista da sociedade. Segundo, buscava conciliar a ideia de liberdade – individual ou coletiva – com a autoridade, defendendo que direitos e liberdade não precedem a lei, mas são criados por ela. Terceiro, afirmava o primado do direito da Nação sobre os direitos individuais. Muitos desses liberais só aderiram ao fascismo após a Marcha sobre Roma. Para eles, o movimento representava a força política capaz de restaurar a ordem e concretizar o ideal do Estado-ético, promotor e guardião da liberdade. Essas ideias foram mais intensas nos primeiros anos do fascismo, antes que ele se consolidasse como um novo regime político”.
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