Os benefícios comprovados da leitura para o cérebro e a vida
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Era um prazer queimar. Era um prazer especial ver coisas engolidas, ver coisas empretecidas e alteradas. Com o bico de latão do esguicho entre os punhos, com o grande píton cuspindo seu querosene peçonhento para cima do mundo, o sangue lhe martelava a cabeça e suas mãos eram as mãos de um maestro admirável executando todas as sinfonias de tocar fogo e queimar, para depois obter os frangalhos e as ruínas calcinadas da história.
Waukegan, Illinois, 1920 – Los Angeles, Califórnia, 2012 Considerado um dos mais célebres escritores do século XX, Ray Bradbury foi romancista, contista, poeta, dramaturgo e roteirista de cinema e de rádio. Tinha doze anos quando passou por sua cidadezinha um pequeno circo ambulante no qual trabalhava um mágico chamado Mr. Electrico. “Ele estava sentado em uma cadeira elétrica”, contava Bradbury, “e seu ajudante abaixou uma alavanca. A energia elétrica atravessou o corpo do mágico, que, com o cabelo todo arrepiado, brandiu uma espada de Excalibur que lançava faíscas.” Bradbury, sentado na primeira fila, viu como, dentre todos os meninos, o mágico o escolheu e, apontando a espada para um de seus ombros, depois para o outro e, por fim, para seu nariz, gritou: “Viva para sempre!” Bradbury achou que não poderia haver ideia melhor. Naquele Natal, seus pais o presentearam com uma máquina de escrever de brinquedo, na qual ele imediatamente redigiu a continuação de um dos romances marcianos de Edgar Rice Burroughs. Ao longo dos oitenta anos seguintes, viveu como se fosse viver para sempre e escreveu sem cessar em muitas outras máquinas. O resultado: clássicos como Crônicas marcianas, O homem ilustrado, Fahrenheit 451, O país de outubro e cerca de outros trinta livros. Defensor da preponderância da emoção sobre o intelecto, o escritor revelava sem reservas seu segredo criativo: “Corra até a beira do precipício e pule. Enquanto cai, invente suas asas.”
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