Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
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"Um corpo a corpo entre o Marquês de Sade e Sacher-Masoch", ou mesmo “três atos de gato e rato”: foi com essas palavras que o autor, em seus apontamentos, se referiu a esta peça, o assim chamado "drama solitário" de Joyce, escrito entre os anos de 1914 e 1915, quando ele estava prestes a terminar Um retrato do artista quando jovem , e quando os primeiros capítulos de Ulisses já estavam sendo esboçados. À primeira vista, a obra é aparentada a uma típica “peça-problema” da virada do século, ao pôr em relevo a questão da “liberdade moral", ao mesmo tempo que se ocupa de temas recorrentes na obra de Joyce — o Artista como Outsider, Exílio, Traição, Igualdade ou Guerra entre os sexos; mas só à primeira vista. Como é comum em todo texto joyceano, aqui também se observa uma "explosão da forma”, por meio de um hibridismo de modalidades literárias, que torna difícil a classificação. A linguagem, por exemplo, oscila da comédia de costumes à parábola moral, da paródia romântica ao melodrama e à farsa. Por seus subentendidos, ambiguidades e alusões veladas, a peça dá a impressão de querer negar o domínio do teatro — o do explícito — e invadir, por assim dizer, o espaço romanesco (desse ângulo, não foram poucos os que a chamaram de exemplo de "dramaturgia psicológica"). Como tudo o mais de Joyce, Exilados é também um registro intensificado de experiências pessoais do autor (em um retrato, se diz que a obra começa na emoção pessoal e termina na criação impessoal) experiências, envolvendo o início do relacionamento amoroso entre Joyce e Nora, quando da partida dos dois da Irlanda, e é uma tentativa de objetificar suas ideias sobre drama até aquele momento de sua vida, bem como de exorcizar o sentimento de ciúme que o perturbou profundamente em sua viagem de volta ao país em 1909, quando seu amigo Vincent Cosgrave insinuou que tivera um caso de amor com Nora — sentimento exacerbado posteriormente, em Trieste, quando um jornalista veneziano e amigo de Joyce, Roberto Prezioso, começou a flertar com ela, situação que culminou no rompimento da amizade entre Joyce e Prezioso, com direito a demonstrações públicas de ofensa e humilhação. Os fatos foram artisticamente decisivos para a concepção da peça, e, por isso, aqui também o leitor deparará o tema do triângulo amoroso, formado por Richard Rowan, um artista em luta contra as convenções burguesas limitadoras, espicaçado por seu próprio voyeurismo, aparentemente determinado a levar a cabo a "imolação do prazer da posse no altar do amor", mas dando a impressão de querer exercer sobre os demais um controle logocêntrico; Robert Hand, um jornalista de temperamento sensual, capaz de se valer de quaisquer artimanhas para pôr em prática seu hedonismo; e a mulher de Richard, Bertha, "um protótipo de Molly Bloom" de caráter forte e insubmisso, que estranhamente relata ao marido cada passo das investidas do rival. Por ela é que Richard e Robert se baterão num duelo, que culminará num final anticatártico, as personagens entregues a um tipo mais sutil de exílio — o "espiritual" — em que vivem aqueles que trazem na alma uma ferida que não se fecha: uma "ferida de dúvida".
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James Augustine Aloysius Joyce foi um romancista, contista e poeta da Irlanda que viveu boa parte de sua vida expatriado. É amplamente considerado um dos maiores escritores do século XX.
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