Como recomendar livros para amigos sem arruinar a amizade
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Depois de investigar o homem e suas relações em Bolhas, primeiro volume da trilogia Esferas, Peter Sloterdijk volta seu olhar para as dimensões da existência em Globos, o segundo volume de sua obra filosófica mais ambiciosa. Se a primeira parte se dedicava às microesferas — mostrando que indivíduo de seu estágio fetal até a infância nunca está sozinho, mas sempre inclui o outro em si e está direcionado para ele —, aqui o filósofo alemão ensaia nada menos que a revelação das bases filosóficas das histórias política e humana dos últimos dois mil e quinhentos anos. Sloterdijk propõe uma arqueologia filosófica, onde interpreta e transmite ao leitor uma história do mundo político com o auxílio dos paradigmas morfológicos da esfera e do globo, mostrando que todas as manifestações anteriores acerca da globalização padecem de miopia. Para ele, a globalização tem início com os gregos, entre os quais a totalidade do cosmo é representada pela figura da esfera. A esfera também está na base das concepções de ordem dos impérios pré-modernos. Com o descobrimento da América e as primeiras circum-navegações do mundo, a esfera é substituída pelo globo. Na atualidade, essa segunda globalização é sucedida por uma terceira, visto que a virtualidade geral de todas as relações leva a uma crise de espaço. Amparado por uma documentação gráfica e repleta de referências que atravessam a filosofia, ciência, religião, arte e política, Esferas Vol. II – Globos narra uma verdadeira história da globalização — da geometrização do céu em Platão e Aristóteles até a circundução da última esfera, da Terra, por navios, capitais e sinais.
Peter Sloterdijk nasceu em Karlsruhe, Alemanha, em 1947. Vem renovando substancialmente o pensamento contemporâneo graças a suas análises iconoclastas sobre a exaustão dos modelos tradicionais tanto na reflexão filosófica quanto nos processos políticos. Estudou filosofia, história e germanística em Munique e Hamburgo, de 1968 a 1974. Suas primeiras áreas de interesse foram a hermenêutica, a teoria crítica, a fenomenologia e a teoria estrutural da história em Michel Foucault. Viveu na Índia entre 1979 e 1980 — estada que lhe despertou forte interesse pelas sabedorias do Oriente e o fez relativizar os cânones ocidentais. Destacou-se em 1983 com a publicação de Crítica da razão cínica (Estação Liberdade, 2012), que obteve ampla repercussão, tornando-se o livro de filosofia mais vendido na Alemanha do pós-guerra. Lecionou em Frankfurt e Viena, antes de ser nomeado professor de filosofia e estética na Escola Superior de Artes Aplicadas de Karlsruhe, da qual foi reitor de 2001 a 2015. Entre 2002 e 2012 apresentou, ao lado do também escritor Rüdiger Safranski, o conceituado e popular programa de TV “O quarteto filosófico”. No Brasil, Sloterdijk publicou Pós-Deus (Editora Vozes), O zelo de Deus: Sobre a luta dos três monoteísmos (Editora Unesp) e, pela Editora Estação Liberdade, publicou ainda No mesmo barco, Regras para o parque humano, O desprezo das massas, Ira e tempo, Esferas I: Bolhas e Fazendo o céu falar: sobre teopoesia.
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