Literatura brasileira: os clássicos que todo leitor deveria conhecer
A literatura brasileira produziu obras extraordinárias que dialogam com o melhor da literatura mundial. Um guia pelos clássicos essenciais, do Romantismo ao Modernismo.
Manifesto Feminista, Notas sobre a Existência e Outros Escritos
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Pela primeira vez no Brasil, Mina Loy chega em edição bilíngue (português/inglês) com uma antologia de textos poéticos e políticos. Eis a “bufona do serviço secreto da causa da mulher”, propulsão da libertação feminina, que escreveu, desenhou, orientou a vida pelo desejo libidinoso, amou e foi amada como poucas. Ainda que fosse estimulada pelas vanguardas do pensamento artístico-moderno, a escritora inglesa não atravessou passivamente nenhuma delas. No “Manifesto feminista” (1914), propõe às mulheres que desmascarem as “ilusões de estimação”, descartando as mentiras dos séculos. Sua radicalidade combate “a irresponsabilidade do macho”, o futurismo dos homens com máquinas fálicas e duras por meio da única reforma possível: a “demolição absoluta”. Foi essencial para a renovação crítica do espírito surrealista, cujos comprometimentos do movimento contra a opressão patriarcal eram vistos como propícios. No ensaio “Traduzindo Mina Loy”, a tradutora Maíra Mendes Galvão ressalta que a autora chama atenção “primeiro pela estranheza” e se desenrola com a sensação de “uma qualidade de trapaça, de haver sempre algum truque de espelhos, algo escondido bem na superfície”. Para isso, a edição é cuidadosa em respeitar os espaçamentos improváveis, variações no tamanho da letra e grifos da própria autora. Mina Loy, recuperada desse “esquecimento editorial”, tão atual e essencial, desembarca em solo brasileiro em momento oportuno. É a força da maré revolta contra a lógica má-formada por perspectivas que ignoram o desejo. Contra “névoa da moralidade social”, com “visão em blecaute”, escreve com essa escritura derrotada ansiando que leitoras e leitores abram as páginas e juntem os cacos. Tradução: Maíra Mendes Galvão Nota Biográfica: Alexandre Barbosa de Souza Cronologia: Roger Conover
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Mina Gertrude Löwy (1882-1966), conhecida apenas como Mina Loy, foi uma poeta, escritora e artista visual inglesa. Teve uma vida agitada, em trânsito pelos mais energéticos círculos artístico-intelectuais do começo do século XX. De espírito volante, Mina Loy engrenou-se entre os futuristas na Itália, orbitou na explosiva esfera dadá em Nova York, onde conheceu o poeta pugilista Arthur Cravan, um de seus mais profundos amores, e os encabeçadores do movimento na cidade: Duchamp e Man Ray. Em Paris, entre os últimos suspiros dadás e os primeiros voos dos surrealistas, publica seu único livro de poemas, “Guia lunar” [Lunar Baedecker, Contact Pub. Co, 1923].
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