Por que reler um livro é sempre uma experiência diferente
Reler um livro que você amou parece perda de tempo quando há tanto ainda para ler. Mas a releitura revela camadas que a primeira passagem não alcança, e diz algo sobre quem você se tornou.
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Em plena madrugada, duas pessoas conversam em uma praça esquecida da cidade. Uma delas acende um cigarro enquanto a outra manipula uma garrafa de Coca-Cola como se a estudasse minuciosamente. Nesse ponto, cria-se um espaço de partilha e promessa. Cada palavra carrega em si o peso de um corpo, corpo este que vive em sociedade, que sente, que se relaciona, que explora o mundo, que zela pelo outro. Esse espaço, que confronta e desfaz qualquer sinal de cinismo, é exatamente aquele habitado pelos poemas de Ana Botner. Os versos esticam o discurso, apresentando o que de ternura e violência há debaixo de cada palavra, conversa e promessa. Este é um livro que caminha para uma explosão, que abala as estruturas do presente e faz abrir uma fenda para o porvir, descartando todos os prognósticos de que ele, talvez, não exista ou de que a história acaba agora. Há uma promessa nessa praça e, independentemente do resultado, ela indica que esses corpos estão prontos para desafiar o tempo.
Ana Botner nasceu no Rio de Janeiro, em 1999. É poeta e cientista política, formada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Seu primeiro livro, "Andar barato", foi lançado em 2021 pela editora Urutau. Atualmente, é mestranda em Ciência Política no Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
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