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Intelectuais, Ideias e Projetos de Educação (1927-1935)
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A obra investiga as experiências de quatro importantes e renomados educadores brasileiros na Faculdade de Educação ( Teachers College ) da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, nas primeiras décadas do século 20. O livro é um desdobramento da premiada pesquisa de doutorado desenvolvida pela historiadora Ana Cristina Rocha no Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (PPGHCS/COC/Fiocruz). Ganhadora de dois títulos no Prêmio Capes de Tese 2017 (tese vencedora na área de História e prêmio da Comissão Fulbright Brasil), a autora analisa o modo como Anísio Teixeira, Noemy Silveira Rudolfer, Isaías Alves e Lourenço Filho aproveitaram essa experiência de estudos na instituição, localizada em Nova York. Publicado em coedição com a Editora PUC-Rio, o título revela como as experiências dos educadores refletiram em suas práticas profissionais quando retornaram ao Brasil. Dessa forma, a pesquisa dialoga tanto com as perspectivas teóricas dos intelectuais brasileiros a partir de suas passagens pelo Teachers College , como também a forma como essas ideias foram utilizadas pelos quatro quando trabalharam em serviços de educação, nos anos 1930, especialmente no Distrito Federal e em São Paulo. Para além das trocas de ideias e intercâmbios entre pensadores do Brasil e dos Estados Unidos, esses educadores vislumbravam soluções para a modernização do país através da educação que, mesmo iniciadas no início do século 20, são um grande desafio para o nosso sistema educacional até os dias atuais. O volume mostra como, a partir desses deslocamentos institucionais, mas também culturais, econômicos e políticos, cada intelectual desenvolveu um papel importante na educação brasileira: Anísio Teixeira e Lourenço Filho articularam um projeto nacional de formação de professores; já Noemy Rudolfer e Isaías Alves trabalharam com testes de inteligência, trazendo a psicologia educacional para o debate nacional. Como destaca o texto de quarta página do livro, "essas diferentes atuações sinalizaram uma busca por um discurso científico que estivesse alinhado com o projeto de modernidade pelo qual passava o Brasil na década de 1930, época em que o país ainda lutava contra o alto grau de analfabetismo de sua população". Ao mesmo tempo, aquele era um momento de grande efervescência na política e nos projetos de educação do país. Os personagens e suas trajetórias Pesquisador da Casa de Oswaldo Cruz e orientador de Ana Cristina no doutorado, Robert Wegner enaltece a capacidade de análise da historiadora sobre as particularidades dos intelectuais pesquisados. "Ao escrever um livro que lida com perspectivas variadas, Ana percebe as nuances nas trajetórias de seus personagens, bem como as diferenças entre seus projetos de educação. A autora demonstra dominar uma ampla literatura de história das ciências e da educação, de teoria da história e da psicologia, além dos debates sobre circulação de ideias e relações transnacionais", avalia. Mirian Jorge Warde, professora titular aposentada da PUC-SP e professora visitante da Unifesp, também destaca a facilidade com que a autora se debruça sobre experiências tão variadas. "[...], merece atenção o modo como Ana explora as diferenças entre os quatro estudantes brasileiros que estagiaram no Teachers College da Universidade de Columbia entre as décadas de 1920 e 1930, apesar das suas semelhanças, ou por causa delas; ou ainda, marcando a heterogeneidade dos quatro no entrecruzamento de suas trajetórias ", defende. Em cinco capítulos, além de diversas referências e anexos, a historiadora aborda as múltiplas experiências, trajetórias, visões, intercâmbios e distinções dos quatro educadores. Anísio Teixeira e Isaías Alves nasceram no interior da Bahia e integravam famílias de políticos locais, enquanto Lourenço Filho e Noemy Rudolfer eram do interior de São Paulo, sem vinculação política aparente. Os três homens tinham formação em direito, e Noemy completou sua escolarização na Escola Normal Padre Anchieta. Lourenço e Isaías iniciaram a carreira de professores precocemente. Noemy ingressou logo após sua formação normal; Anísio começou na carreira docente tardiamente, somente após seu retorno dos Estados Unidos.
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Ana Cristina Santos Matos Rocha é historiadora pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), mestre em História, Política e Bens Culturais pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getulio Vargas (CPDOC/FGV) e doutora pelo Programa de Pós-Graduação em História das Ciências e da Saúde da COC/Fiocruz. É pesquisadora em estágio de pós-doutorado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), na área de História da Educação.
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