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Modelos Institucionais e PráTicas Sociais
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A Universidade já tem mais de um milênio. Nos tempos recentes, ela vem mudando: aumentaram os estudantes, que em 2022 eram mais que 225 milhões. Aumentaram também as ocupações que demandam formação superior. Mais ainda, diversificou-se o público que se interessa por cursos universitários: além da elite tradicional, novos grupos sociais agora almejam chegar à educação superior. Um crescimento tão acentuado obviamente exige alterações no próprio funcionamento das instituições na educação superior. Desde às novas formas de ensino – das salas-auditórios aos cursos noturnos e/ou de curta duração, passando pela educação a distância – até uma nova ênfase na inserção na comunidade, a Universidade deixa de ser a única forma institucional do ensino superior. Temos faculdades bem pequenas e especializadas, alguns centros universitários com uma oferta mais diversificada de cursos, universidades enormes, algumas com muita pesquisa. Existem formações superiores tecnológicas, licenciaturas para formação de professores, os bacharelados tradicionais. Essa expansão do ensino superior pode ser associada a profundas mudanças sociais, especialmente a urbanização e a industrialização, que criam novas ocupações qualificadas. Junte-se a elas um novo perfil demográfico marcado pela maior escolarização da população, o que habilitaria um número maior de pessoas a se candidatar aos estudos universitários. Nesse quadro, a expansão dos sistemas de educação superior atende às novas demandas colocadas pelas sociedades modernas. Para atender esse novo público, mais amplo e diverso, a educação superior não apenas expandiu o número de vagas como também transformou suas funções e diversificou os modelos institucionais. A universidade tradicional, focada na pesquisa e na formação da elite, ainda faz parte do sistema de educação superior. No entanto, é apenas uma parte desse sistema multifacetado, que tem variados tipos de estudos e formas didáticas, atendendo a públicos distintos. E, muito importante, cumprindo funções diferenciadas, mostrando sentidos diversos segundo o curso, a instituição, ou o grupo de estudantes. Nesse quadro fica a pergunta: será que ainda vale a pena se esforçar para chegar lá? Para quê? Para quem? Como o funcionamento das próprias instituições contribui para tornar a educação superior mais aberta e democrática? É o que tentamos discutir neste livro.
Luma Doné Miranda - Doutora e Mestra em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro Possui bacharelado em Ciência Política e Licenciatura em Ciências Sociais na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.
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