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Palavras Ancestrais Que Abrem Caminhos
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Ebó poético é mais que um livro: é um ritual escrito com a força da ancestralidade, uma oferenda de versos que alimentam, curam e despertam. Nele, Dandara Suburbana e Obalerá transformam palavras em oferendas, versos em feitiços e poesia em resistência. Nascido do encontro entre uma mulher de Xangô e um homem de Omolu, este livro é ritual, feitiço, reza e travessia. Cada poema, oriki, narrativa e crônica é uma folha sagrada que dança no vento da memória negra e da espiritualidade de matriz africana. A obra convida quem lê a pisar no chão do terreiro, onde a palavra é axé em movimento, é tambor que denuncia e celebra, é reencantamento diante de um mundo que insiste em [nos] apagar. Aqui, o sagrado e o cotidiano se entrelaçam como os fios de palha que cobrem o corpo de Omolu ou como os trovões que anunciam a justiça de Xangô. A palavra vira ebó: alimento espiritual, denúncia política, ternura que acolhe. Entre punhais e rezas, folhas e gargalhadas, Ebó poético ergue uma travessia coletiva, construída com o afeto radical de quem escreve com o corpo, com a fé e com a memória. É livro que se dança, se canta, se sente. É palavra de axé, cura, caminho e descolonização. É amizade feita de oriki, escrita como banquete partilhado. Um chamado para lembrar, celebrar e transformar — porque sem cura, não há justiça; e sem justiça, a cura é apenas silêncio. Ebó poético é um livro para quem quer sentir, compreender e viver a potência da oralidade ancestral e da luta coletiva dos povos negros no Brasil. Um chamado à escuta profunda de vozes que foram historicamente silenciadas, mas aqui reverberam com força, beleza e coragem. Você está preparado para receber esse ebó?
Dandara Suburbana (Carolina Rocha) é mulher preta, filha de Xangô e poeta. Pós-doutora em Educação (UFV), doutora em Sociologia (UERJ), mestre e historiadora (UFF). É pesquisadora-ativista das relações raciais e de gênero, racismo religioso, diálogo interreligioso e violência urbana. É matrigestora da comunidade literária Ataré Palavra Terapia. Autora dos livros A culpa é do Diabo: o que li, vivi e senti nas encruzilhadas do racismo religioso (Oficina Raquel, 2025) e O sabá do sertão: feiticeiras, demônios e jesuítas no Piauí Colonial (Paco Editorial, 2015).
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