Livros essenciais para entender a história do Brasil
Para entender o Brasil de hoje, é preciso conhecer o Brasil de ontem. Uma seleção dos livros de história que mais iluminam nossas raízes, contradições e possibilidades.
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E se elas fossem para Moscou? parte do texto de As três irmãs, de Anton Tchekhov, e trata do eterno looping de três mulheres, Olga, Irina e Macha, que seguem à beira do trampolim, ainda presas ao passado, mas a ponto de dar o salto vertiginoso para o futuro. Um futuro em que elas são as protagonistas da sua história, e em que “Moscou”, o lugar por elas idealizado, não é mais uma utopia, é real. Criada em 2014, a peça dá continuidade à pesquisa de Jatahy sobre a relação entre o teatro e o cinema em cena, através da transposição de clássicos para a contemporaneidade. O resultado é um jogo de espelhos entre as duas artes, que acontecem simultaneamente em dois espaços distintos: enquanto o espetáculo é encenado, as imagens são captadas por três câmeras integradas à cena. A montagem do filme é feita ao vivo e enviada para outro espaço, uma sala de cinema. Teatro e cinema acontecem ao mesmo tempo, mas são vistos em espaços distintos. Cada câmera acompanha uma das irmãs. Irina carrega o objeto, numa filmagem mais documental. Olga é acompanhada por uma câmera movida no tripé, que revela o cenário e apresenta a casa. Enquanto Macha relaciona-se amorosamente com a sua câmera, criando duas perspectivas diferentes: para a plateia do teatro, sua relação se dá com o operador de câmera, para os espectadores do cinema, a relação é diretamente com eles. O desafio desta dramaturgia é, afinal, construir duas obras que existem plenamente em seus territórios, e se complementam quando vistas pelo mesmo espectador como uma obra única. O livro E se elas fossem para Moscou? é uma edição bilíngue, em português e francês, desta peça de Christiane Jatahy, apresentada em mais de dez países, e que ganhou diversos prêmios, dentre eles o Shell e o APTR de Melhor direção para Christiane Jatahy e o Shell de Melhor atriz para Stella Rabello.
Diretora, dramaturga e cineasta, Christiane Jatahy desenvolve uma obra singular na confluência entre teatro, cinema e performance. Seu trabalho interroga, com profundidade e sensibilidade, as fronteiras entre realidade e ficção, ator e personagem, o íntimo e o político — abrindo espaço para reflexões sobre o outro e o estrangeiro. Com forte dimensão documental e dispositivos cênicos inovadores, constrói uma linguagem única, em que os meios se misturam e se tensionam. Seu repertório reúne obras que dialogam com clássicos da dramaturgia mundial sob perspectivas contemporâneas e urgentes. Reconhecida internacionalmente, em 2022 recebeu o Leão de Ouro da Bienal de Veneza pelo conjunto de sua obra teatral. No ano seguinte, foi condecorada com a medalha de Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres, por sua contribuição à cultura e às artes no cenário internacional.
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