Por que reler um livro é sempre uma experiência diferente
Reler um livro que você amou parece perda de tempo quando há tanto ainda para ler. Mas a releitura revela camadas que a primeira passagem não alcança, e diz algo sobre quem você se tornou.
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O Rio de Janeiro é lindo, mas vive fedendo. E ainda assim, a gente ama. Talvez por isso mesmo. E, Se Ainda Der Certo? é um livro-crônica-soco-afago sobre viver na cidade mais apaixonante e insustentável do Brasil — onde a beleza é de tirar o fôlego, mas o cheiro do esgoto te lembra que o colapso é real. Combinando a vivência de uma Cientista Ambiental com a malandragem afetuosa de uma cronista urbana, Gabriela Rodrigues te leva para um passeio literário por vielas, trilhas, florestas escondidas, bueiros entupidos e becos de memória. Tudo isso com ritmo de funk, ironia fina, pitadas de caos e uma pergunta que martela como sirene de ambulância: por que a gente ainda insiste em amar essa cidade que parece não querer ser amada? Aqui não tem moralismo, não tem aula de ecologia, não tem sigla que ninguém entende. O que tem é texto com vírgula, suor e coração. Um olhar afiado sobre pertencimento, saneamento, floresta urbana, racismo ambiental, lixo, marketing verde, ancestralidade e a sensação constante de que estamos vivendo uma crônica escrita por Adélia Prado em Copacabana — com trilha sonora do Xamã, do Cartola e da Anitta. Inspirado por autoras como Márcia Tiburi, Conceição Evaristo, Sônia Guajajara, Djamila Ribeiro, Adélia Prado, Candace Bushnell e Chimamanda Ngozi Adichie, o livro mistura análise crítica com confissão pessoal, deboche com afeto, caos com esperança. Porque talvez a gente ainda possa rir da tragédia, enquanto planta alguma possibilidade no meio dos escombros.
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