Como presentear livros sem errar: um guia para acertar sempre
Dar um livro de presente é um ato de intimidade, você está dizendo "eu conheço você". Mas errar é fácil. Veja como acertar na escolha e surpreender quem você ama.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Nos versos de Leandro Durazzo, em Dois carcarás , uma fauna discreta dança à volta do leitor: passeiam pelas páginas os carcarás do título, mas também cabras, morcegos, muriçocas, gatas, escorpiões, libélulas, iguanas, pombas, aranhas, arapuás, beija-flores. Os bichos estão por todos os lados e, de repente, a casa está irremediavelmente aberta: a casa é o mundo. Faz-se mundo. E é muito frágil qualquer linha que tentemos traçar, aqui, entre natureza e civilização: “por meus livros já passaram/ lesmas, formigas, moscas,/ vespas e traças: há toda uma cultura/ em seus trajetos, toda uma/ literatura”. É uma voz calma, sem espanto, que nos fala nesses versos curtos, enquanto se descobre tão “selvagem” quanto suas pequenas visitas, que não têm pressa. Parecem ter vindo para ficar — e seu jeito de ficar é nos fazer ver que “a vida é uma”. Já não é possível reconhecer fronteiras: “meu sangue,/ que a muriçoca guarda,/ será meu/ ou da muriçoca?”. Os poemas de Durazzo flagram cenas independentes, pequenos flashes da vida selvagem entrando por todos os poros do dia, mas estão profundamente conectados, como as fotos tiradas numa mesma viagem — todas únicas, mas inseparáveis —, que devolvem a experiência num outro tempo à memória. E quem nos guia (e desvia) por esses caminhos é alguém que já não pode mais se reconhecer senão como um bicho entre os outros: “animal/ nas ranhuras do tempo,/ eu me arrasto// nem garras, nem gana,/ nem penas:/ fado// e um certo medo/ que toda vida extingue”.
Leandro Durazzo nasceu em Santos (SP), em 1986, e vive em Natal (RN). Antropólogo, tradutor e poeta, é autor de tripitaka (Medita, 2014), Histórias do Córrego Grande (Katarina Kartonera, 2015), Cantos de Natal (Munganga, 2017), Mar de viração (Moinhos, 2018) e Karma (Pedregulho, 2023). Tem poemas publicados na antologia É agora como nunca (Org. de Adriana Calcanhotto, Companhia das Letras, 2017).
Outros livros de Leandro Durazzo
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
Dar um livro de presente é um ato de intimidade, você está dizendo "eu conheço você". Mas errar é fácil. Veja como acertar na escolha e surpreender quem você ama.
Uma estante virtual organiza tudo que você leu, está lendo e quer ler. Veja como montar a sua e quais os benefícios de ter um registro digital das suas leituras.
O aluno que lê por obrigação raramente vira leitor. Mas há formas de apresentar a leitura escolar que mudam essa equação. Veja o que a pesquisa diz e como professores estão fazendo diferente.
Para escolas, universidades, autores e editoras