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O Relato do Jornalista Brasileiro Que Foi Preso e Torturado em Plena Guerra
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O jornalista Klester Cavalcanti saiu de São Paulo em maio de 2012, com a missão de registrar a realidade da guerra civil na Síria, iniciada pouco mais de um ano antes. Foi para Beirute, no Líbano, com toda a documentação em ordem. Tinha o visto sírio, uma lista dos equipamentos que poderia portar, passaporte e um contato esperando por ele na cidade de Homs, então epicentro do conflito entre as forças do ditador Bashar al-Assad e os rebeldes do Exército Livre da Síria. Seu plano era entrar em território sírio pela fronteira libanesa e acompanhar por alguns dias a ação dos rebeldes. Mas nada aconteceu como planejado. Ele foi preso pelas tropas oficiais, torturado e encarcerado por seis dias numa cela que dividia com dezenas de detentos. Acostumado a denunciar violações dos Direitos Humanos no Brasil, o jornalista conseguiu fazer seu trabalho no ambiente inóspito da prisão. Naquele microcosmo estavam os personagens e as histórias que precisava para retratar a guerra civil que acompanhava da cela, ouvindo os tiros e as explosões que vinham das ruas. O resultado é este livro, que apresenta o conflito sírio de uma perspectiva inédita – visto de dentro –, ao mesmo tempo que vítimas e algozes da guerra ganham a dimensão humana que nos faz refletir sobre as diferenças religiosas e de poder que maltratam o mundo. A edição atualizada também traz importantes reflexões sobre o cenário local e mundial depois da queda da ditadura que comandou o país por 53 anos.
Jornalista desde 1994, o recifense Klester Cavalcanti já trabalhou em alguns dos maiores veículos da imprensa nacional, como Veja, IstoÉ, Estadão e Rede Globo. Já conquistou prêmios de relevância internacional, como o de Melhor Reportagem Ambiental da América do Sul, conferido pela agência de notícias Reuters e pela IUCN (União Mundial para a Natureza), e o Natali Prize, a mais importante premiação de Jornalismo de Direitos Humanos do mundo. Recebeu também o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos e o Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo. É autor de cinco livros, dos quais três foram agraciados com o Prêmio Jabuti de Literatura, a mais prestigiada premiação da literatura brasileira: Viúvas da Terra, O Nome da Morte e Dias de Inferno na Síria. Seu livro O Nome da Morte foi adaptado para o cinema e lançado em mais de vinte países, traduzido para oito idiomas, o que faz de Klester o autor brasileiro de livro- -reportagem mais publicado no mundo.
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