Como criar uma rotina de leitura noturna que substitui o celular
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Em um dia que se parece com qualquer outro, um menino acorda com a certeza de que aquele será um dia especial. Sua esperança se fortalece com os sinais que encontra ao longo de sua jornada. Ele sabe que, se observá-los, o que parece impossível pode se tornar real. E assim, ao longo do percurso, que se estende à sua necessidade – especialmente quando desponta qualquer incerteza – o menino procura a confirmação de que sua expectativa será contemplada. É também nos indícios deixados pela autora que o leitor redesenha a narrativa: o menino acorda e encontra apenas a mãe que cuida da casa e dele antes de sair para mais um dia de trabalho, que saberemos mais adiante, será longo. Entre reflexos e sombras, o menino encontra detalhes que confirmam seu desejo – a mãe que se perfuma, uma calça masculina no varal, um olhar, um cartaz, alguém que escreve no chão, uma gaiola, um bilhete – atenção, está ali a chave do que guarda a história –, e, tal qual o pássaro azul, sai de seu peito à procura de um ou outro cisco de esperança. Ao longo da sequência que se desvela permeada de silêncios, a ausência do pai se torna mais clara, assim como a certeza de que, naquele dia, ele voltará. E, embora seu desejo se desmanche em sonho, no dia seguinte, desperta novamente, junto com o menino, que sabe, ainda que não entenda porquê, que cada dia guarda uma porção do que parece impossível. E assim, Paula Schiavon convida o leitor a observar e conectar os indícios que deixa ao longo da leitura, tal qual o menino. A desvendar a narrativa construída entre palavras extremamente enxutas, imagens que revelam sua construção em pinceladas de acrílica e silêncios, seja na forte presença do branco ou nas deslumbrantes ilustrações que suspendem qualquer som. Paula nasceu em Porto Alegre, em 1973. Começou a desenhar ainda menina e, na adolescência, passou também a se dedicar à pintura. Estudou Direito e foi trabalhar no Ministério Público. Mais tarde estudou Artes Visuais e, desde então, participa de coletivos e exposições. Paula é mãe de Bruna e Nina e iniciou sua carreira de ilustração em 2020. Este é seu primeiro livro.
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