Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
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Em Diálogos II, a Edipro convida o leitor a adentrar, e principalmente revisitar, o universo dialógico do filósofo grego Platão de forma didática, contextualizada e comentada, por meio de acurada tradução. Designamos a este volume o título de Diálogos II na intenção de propor um roteiro de leitura, iniciado pelo Diálogos I, que encontra sua continuidade nesta publicação, facilitando ao leitor o contato com os textos platônicos. Os quatro diálogos que reunimos nesta obra tratam de temas essenciais da filosofia platônica que transcenderam o mundo grego clássico até a atualidade. As impressões acerca do que é, de fato, ser filósofo; a discussão em torno da retórica; a busca da compreensão conceitual do Belo; e os limites éticos entre agir voluntária e involuntariamente são, entre outros, temas abordados em Górgias (ou Da Retórica), Eutidemo (ou Da Disputa), Hípias maior (ou Do Belo) e Hípias menor (ou Do Falso). O presente volume inclui a numeração da edição referencial de Stephanus, de 1578, impressa às margens do texto.
Em rigor, pouco se sabe de absolutamente certo sobre a vida de Platão. Platão de Atenas (seu verdadeiro nome era Aristocles) viveu aproximadamente entre 427 e 347 a.C. De linhagem ilustre e membro de uma rica família da Messênia (descendente de Codro e de Sólon), usufruiu da educação e das facilidades que o dinheiro e o prestígio de uma respeitada família aristocrática propiciavam. Seu interesse pela filosofia se manifestou cedo, e tudo indica que foi motivado particularmente por Heráclito de Éfeso, chamado O Obscuro, que floresceu pelo fim do século VI a.C. É bastante provável que, durante toda a juventude e até os 42 anos, tenha se enfronhado profundamente no pensamento pré-socrático – sendo discípulo de Heráclito, Crátilo, Euclides de Megara (por meio de quem conheceu as ideias de Parmênides de Eleia) – e, muito especialmente, na filosofia da Escola itálica. Entretanto, é inegável que o encontro com Sócrates, sua antítese socioeconômica (Sócrates de Atenas pertencia a uma família modesta de artesãos), na efervescência cultural de então, representou o clímax de seu aprendizado, adicionando o ingrediente definitivo ao cadinho do qual emergiria o corpo de pensamento independente e original de um filósofo que, ao lado de Aristóteles, jamais deixou de iluminar a humanidade ao longo de quase 24 séculos. Em 385 a.C., Platão, apoiado (inclusive financeiramente) pelos amigos, estabeleceu sua própria Escola no horto de Academos, para onde começaram a afluir os intelectos mais brilhantes e promissores da Grécia, entre eles Aristóteles de Estagira, que chegou a Atenas em 367 com 18 anos. Platão morreu aos 80 ou 81 anos, provavelmente em 347 a.C. – dizem – serenamente, quase que em continuidade a um sono tranquilo.
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