Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
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Neste conto de fadas moderno, a vencedora do Nobel Toni Morrison transforma em alta literatura a temática do racismo na infância e da influência de um trauma antigo na vida de um adulto. Lula Ann Bridewell, ou simplesmente Bride, como prefere ser chamada, é uma jovem cuja pele escura foi motivo de desgosto dos pais desde seu nascimento. “Não levou mais de uma hora depois que tiraram a criança do meio das minhas pernas pra perceberem que tinha alguma coisa errada. Muito errada. Ela era tão preta que me assustou”, diz Mel, a mãe de Bride, de pele mais clara. Abandonada pelo marido, que a culpa pela cor da filha, Mel é incapaz de lhe devotar amor, e sua rudeza com Bride denota a um só tempo a decepção que sente e a preocupação com seu futuro. “A cor dela é uma cruz que ela vai carregar pra sempre.” Criada sem amor por uma mãe que se recusava a reconhecer a própria existência da filha, Bride tenta reivindicar o amor materno contando uma mentira que culmina na prisão de uma mulher inocente. Anos mais tarde, depois de aprender sozinha a se sentir confortável com a própria aparência e de se tornar uma funcionária bem-sucedida da indústria de cosméticos, Bride procura reparar os danos causados pela sua invenção. Neste poderoso romance, Morrison procura responder a uma difícil pergunta: o que fazer com o erro cometido por uma criança, quando ele foi motivado por uma força contra a qual ela era incapaz de lutar? Curto e contundente, Deus ajude essa criança é uma leitura mais essencial do que nunca.
Toni Morrison nasceu em 1931, em Ohio, nos Estados Unidos. Formada em letras pela Howard University, estreou como romancista em 1970, com O olho mais azul. Em 1975, foi indicada para o National Book Award com Sula (1973), e dois anos depois venceu o National Book Critics Circle com Song of Solomon (1975). Amada lhe valeu o prêmio Pulitzer. Foi a primeira escritora negra a receber o prêmio Nobel de literatura, em 1993. Aposentou-se em 2006 como professora de humanidades na Universidade de Princeton. Faleceu em 2019.
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