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"A democracia não é, evidentemente, a única possibilidade desta época de crise em nossa história. (...). Existem possibilidades de regressão ao autoritarismo e mesmo possibilidades que, se não são de regressão, são de coisa ainda pior do que tudo que já vimos até aqui (...). Não creio que se possa negar que a democracia é o único caminho que pode levar à modernidade". (WEFFORT, F. C. Notas sobre a democracia e a modernidade na América Latina em crise. Lua Nova, São Paulo, n. 21, pp. 5-40, set., 1990). Essa advertência é especialmente pertinente, porque a América Latina passou por diversas ditaduras militares e autoritarismos ao longo do século XX. Ademais, é um alerta quanto aos percalços da lenta transição para a democracia. Embora complexa e incompleta em muitos casos, essa passagem tem sido vista como um passo essencial para o desenvolvimento político, econômico e social da região. Em outras palavras, o cientista político destaca a democracia como a única via que pode levar, de fato, à modernidade. Assim sendo, a complexa transformação modernizante, aqui mencionada, não pode se restringir ao aumento da riqueza, tampouco à equivalência nefasta entre cidadania e capacidade de consumo, desconsiderando as liberdades fundamentais. Modernidade significa uma democracia robusta que é capaz de abrir caminhos em direção a um futuro com menos desigualdades, baseado na promoção de valores como a participação cidadã, a transparência, a responsabilização dos governantes, o amplo acesso à educação e à cultura, bem como a defesa dos direitos humanos, todos essenciais para um desenvolvimento sustentável. Inspirando-se nessas premissas, os autores reunidos nesta coletânea, com formações e pontos de vista diversos, trilharam caminhos que eles próprios escolheram, problematizando temas e objetos inerentes à questão democrática. ---- “O século XVIII chamou de felicidade pública”, nos lembra Hannah Arendt, aquele momento em que “o homem toma parte da vida pública, dimensão da experiência humana abrindo para si uma que de outra forma ficaria fechada”. Sem essa experiência, conclui a pensadora, não se pode alcançar a “felicidade completa”. (Crises da República. São Paulo: Perspectiva, 2015, p. 175). A democracia, assunto desta coletânea, é o palco no qual os cidadãos, com liberdade plena, falam e agem na busca de um futuro que seja melhor do que o presente Portanto, só a democracia pode criar as condições para a “felicidade completa”.
Rosangela Patriota Professora Assistente Doutora no Programa de Pós- Graduação em Educação, Artes e História da Cultura (PPGEAHC) da Universidade Presbiteriana Mackenzie. É pesquisadora do CNPq nível 1C. É autora de Vianinha – um dramaturgo no coração de seu tempo (São Paulo: Hucitec, 1999); A Crítica de um Teatro Crítico (São Paulo: Perspectiva, 2007); Teatro Brasileiro: Ideias de uma História (São Paulo: Perspectiva, 2012, em coautoria com J. Guinsburg); História e Teatro: Discussões para o Tempo Presente (São Paulo: Edições Verona, 2013, ebook), Antonio Fagundes no palco da história: um ator (São Paulo: Perspectiva, 2018).
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