Livros de viagem que fazem você querer arrumar a mala imediatamente
Literatura de viagem é mais que guia turístico. Os melhores livros do gênero transformam lugares em experiências e fazem você viajar sem sair do sofá.
SéRie Internacionalização da Dramaturgia
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
De peito aberto é o olhar de um artista contemporâneo sobre uma faceta muito profunda de um Camarões atual; é o culto à palavra e ao coração. Esse olhar é compartilhado pela estética de uma escrita bastante original. Éric-Delphin Kwégoué , autor da peça, utiliza como recurso em alguns monólogos a falta de pontuação para que o leitor tenha liberdade na relação com o texto e possa colocar “o próprio ritmo cardíaco natural”. A escolha da peça forja esse culto à palavra, à comunicação, como um eixo nas figuras de alguns personagens: Eshu, Neemias, A influencer e o próprio jornalista (Paulo Alan). Isso por si só, esse culto à palavra com ação salvadora de uma pátria, é de grande beleza já que arte e linguagem são ferramentas de conexão entre os mundos e entre os corpos que muitas vezes estão distantes fisicamente, mas, no campo das ideias, do sentir e dos olhares, se reconhecem de muito perto. A língua francesa sempre simbolizou essa ponte, um objeto que conecta e possibilita a intimidade com territórios e olhares afrodiaspóricos. Por meio dessa ferramenta, nos sentimos perto desses lugares e, assim, há um reconhecimento mútuo forte e puro, seja no Caribe afrofrancófono, seja na Europa ou na África, que é tão diversa em suas francofonias. Que este encontro entre o Brasil e a francofonia — entre corpos, vozes e histórias — possa multiplicar caminhos. Que os palcos se tornem espaços ainda mais plurais, permeáveis, porosos à diversidade do mundo. E que, no gesto de traduzir e acolher o outro, possamos sempre nos transformar.
Vencedor do Prêmio RFI Théâtre 2023 com o texto “À cœur ouvert”, Éric-Delphin Kwégoué é autor, diretor, ator e performer. Formou-se em arte dramática na Maison des Jeunes et des Cultures de Douala e, em mais de vinte anos de atividade, criou diversos espetáculos, entre eles: Maintenant ou jamais, de Cédric Mabudu, no festival Les Contemporaines no TNP de Lyon; L’ombre de mon propre vampire, apresentado na Cidadela de Blaye no Festival Inductions; L’Afrique n’ira plus au Vatican, no festival internacional Afrique de Performance em Bordeaux, entre outros. Dedica-se também à escrita e publicou mais de vinte peças, muitas delas premiadas, encenadas e lidas publicamente, especialmente no ciclo Ça va ça va le monde, da RFI. O autor participou de diversas residências artísticas, incluindo uma de três meses na Maison Jean Vilar, em Avignon, para escrever um ensaio sobre teatro popular com base na experiência camaronesa: Scène éclatée ou la déconcentration du théâtre au Cameroun. Por tudo isso, Éric-Delphin Kwégoué é figura importante na vida cultural e artística de seu país.
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
Literatura de viagem é mais que guia turístico. Os melhores livros do gênero transformam lugares em experiências e fazem você viajar sem sair do sofá.
Quadrinhos não são "coisa de criança". Mangás e graphic novels estão entre as formas narrativas mais inovadoras do século. Um guia para quem quer entrar nesse universo.
Para entender o Brasil de hoje, é preciso conhecer o Brasil de ontem. Uma seleção dos livros de história que mais iluminam nossas raízes, contradições e possibilidades.
Para escolas, universidades, autores e editoras