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A importância de Friedrich Schlegel (1772-1829) permanece hoje inestimável para qualquer entendimento do conceito, da função ou do exercício da literatura moderna. O seu nome é frequentemente referido e reconhecido como o de uma das figuras de maior relevância no domínio da reflexão crítica em geral. Não obstante, os termos desse reconhecimento afiguram-se muitas vezes vagos e indefinidos, ou acabam por reduzir-se a uma referência obrigatória, pontual, que parece ter tanto de incontornável como de exígua. Várias circunstâncias permitem iluminar, pelo menos em parte, as razões de uma tal receção. A primeira delas é exterior, e refere-se naturalmente à identificação por assim dizer automática de Schlegel, em qualquer história da teoria ou das ciências da literatura, como primeiro porta-voz e cabeça de fila do momento conhecido como Frühromantik (1797-1801). […] A isto vem juntar-se uma segunda circunstância, de cariz mais específico. Schlegel foi reconhecidamente um autor muito prolífico, sob muitos aspetos atreito a uma certa ideia da desordem ou da dissipação. A abundância dos géneros em que escolheu apresentar o seu pensamento, que se vão intersetando sem fim ao longo de muitos anos, votou-o, aos olhos dos seus leitores potenciais, a uma dispersão crescente, que resiste continuamente […] a todos os esforços de hierarquização e de síntese. Schlegel é sobretudo conhecido como um dos principais representantes do chamado Primeiro Romantismo Alemão, um movimento literário a artístico que teve o seu ponto culminante com a publicação da revista Athenäum (1798-1800), fundada em conjunto com August Wilhelm Schlegel, e na qual colaboraram autores como Novalis, Friedrich Schleiermacher, August Ludwig Hülsen ou Caroline Schlegel. O presente volume reúne alguns dos textos fundamentais de Friedrich Schlegel dedicados quer ao exercício da crítica, em particular sob o signo do género que denominou como «característica» (de uma obra ou de um autor determinados), quer à reflexão explícita sobre o próprio conceito de crítica, desenvolvida nomeadamente a partir do seu estudo da obra de Gotthold Ephraim Lessing (1729-1781). Na edição comentada de Os pensamentos e opiniões de Lessing (1804), Schlegel enuncia abertamente a questão da crítica, essencial para toda a arte moderna, como «elo intermediário entre a História e a Filosofia».
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