Como recomendar livros para amigos sem arruinar a amizade
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No interior de uma Albânia ainda presa a tradições e superstições, Gjirokastra sofre com a chegada da Segunda Guerra Mundial aos Bálcãs. De repente, a paisagem de pedra de suas ruas tortuosas se torna o cenário de bombardeios e sucessivas ocupações militares. Mas os habitantes de Gjirokastra tentam prosseguir na vida de sempre, escorada em preconceitos e superstições tradicionais. Apanhado no meio do conflito entre as velhas e as novas opressões, o narrador também enfrenta uma transição dolorosa, entre a infância e a adolescência. A presença dos soldados fascistas não o impede de conversar com a cisterna de casa, procurar indícios de feitiçaria por toda parte ou "ler" a trilha das formigas como se fosse uma frase no alfabeto arábico. Sua fantasia o protege contra o testemunho horrível de cadáveres amontoados e membros humanos decepados. O humor e o horror se chocam nesta Crônica na pedra, como se medissem forças um com o outro. Neste livro publicado originalmente em 1970, Kadaré nos leva a indagar até que ponto vai a resistência pétrea das tradições ante a brutalidade da história. Para o narrador-menino, a inocência da infância vai deixando de fazer sentido, enquanto o tempo invade as ruas de Gjirokastra como se fosse um exército estrangeiro.
ISMAIL KADARÉ nasceu em 1936, Gjirokastër. Um dos mais destacados intelectuais europeus contemporâneos e nome de proa da literatura albanesa, escreveu contos, romances, poesia e ensaios. Entre as distinções que recebeu estão o Man Booker International Prize, o Prêmio Príncipe das Astúrias e o Neustadt Prize. Dele a Companhia das Letras publicou, entre outros, Uma questão de loucura, Crônica na pedra e Abril despedaçado, livro que serviu de argumento para o filme homônimo de Walter Salles. Faleceu em 2024, aos 88 anos.
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