Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
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BeléM e Manaus
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Dois dos maiores intelectuais e autores brasileiros entrelaçam memória, história e reflexão para examinar o processo de formação — e deformação — de Belém e Manaus. Um panorama histórico-cultural extraordinário das metrópoles da Amazônia brasileira. “Cada escritor elege seu paraíso, sabendo que se trata de um paraíso perdido”, anota, de saída, Milton Hatoum em seu texto sobre a cidade de Manaus. É sob o signo dessa perda — íntima, histórica e coletiva — que se constrói Crônica de duas cidades . Reunindo dois ensaios que, em surdina, dialogam entre si, o livro propõe uma leitura profunda e crítica de Belém e Manaus, cidades que nasceram entre rio e floresta e que, ao longo do século XX, foram progressivamente afastadas de seu entorno natural. Benedito Nunes revisita Belém como quem recompõe uma cidade-história: do período colonial às ilusões da belle époque, do fausto da borracha à destruição de seus ícones urbanos, traçando uma reflexão aguda sobre memória, cultura e esquecimento. Milton Hatoum, por sua vez, percorre Manaus a partir da experiência pessoal e dos voos da imaginação e da memória, revelando uma cidade marcada pela violência contra os povos indígenas, pelo delírio modernizador e pela exclusão social. Sem nostalgia fácil, mas movidos por um forte vínculo afetivo por estes espaços, os autores interrogam o sentido do progresso e o preço pago por ele. O resultado é uma obra luminosa e inquietante sobre urbanização, identidade e perda. O que restou das ruínas de um passado tão recente, apagado abruptamente, brutalmente? Como podemos sonhar estas cidades para o futuro?
BENEDITO NUNES nasceu em Belém, em 1929. Crítico literário e escritor, foi professor emérito da Universidade Federal do Pará (UFPA) e lecionou na Universidade de São Paulo (USP), na Universidade de Austin, no Texas, na Universidade de Haute-Bretagne, em Rennes, na Universidade Vanderbilt, em Nashville, na Universidade de Stanford, na Universidade de Montreal, entre outras. É autor de “O dorso do tigre” (1969), “Passagem para o poético — Filosofia e poesia em Heidegger” (1986, vencedor do prêmio Jabuti), “O tempo na narrativa” (2003), “A clave do poético” (2009, também agraciado com o Jabuti), entre outras obras. Foi bolsista da Guggenheim Foundation, e em 2010 recebeu o Prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras pelo conjunto de sua obra. Morreu em 2011, em Belém.
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