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Jack Kirby
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No seu berço, no meio editorial norte-americano das décadas 1920/1930, os quadrinhos ocupavam a posição mais baixa e desprezível na hierarquia das artes gráficas — segundo Will Eisner, é esse o fato que fez com que tantos artistas e redatores judeus e filhos de imigrantes pobretões ocupassem o segmento. Eisner comparou o meio a uma pocilga, no qual, independentemente de seus atributos, apenas os sem-esperança ou muito determinados topavam trabalhar nele. Ainda segundo Eisner, as pessoas usavam codinomes justamente para esconder sua origem miserável, na esperança de vir a trabalhar em publicações “mais decentes e dignas” que as páginas porqueiras de quadrinhos de jornais e, depois, dos comic books. Conforme é retratado no livro O Criador de Deuses, Jack Kirby era um judeu brigão, um casca-grossa, uma figura “difícil” no tratamento, segundo seus próprios contemporâneos, e se não fosse assim, talvez teria se perdido no ambiente violento dos guetos de Nova York da época, mas ele abriu caminho dando duro, dando braçadas no meio editorial preconceituoso, como desenhista autodidata, munido da audácia necessária, e contando apenas com um talento nato, gigantesco mas bruto, que ele foi lapidando até chegar ao auge na década de 1950 em diante, porém, intuitivamente sem abdicar de um tanto da rusticidade que o diferenciava dos demais grandes autores de quadrinhos. Ele foi um esteta ao modo Kirby — dando-se ao direito de deformar como quisesse as figuras que desenhava, desafiando o convencionalismo estético e a imposição de parâmetros de bom-gosto helênico, observado nos comics elogiados de Hal Foster e Alex Raymond. Kirby reinventou a arte dos quadrinhos, foi mestre em todos os gêneros que desenhou, mas foi especialmente empolgante e revolucionário no desenho de super-heróis, e intensamente criativo, também, embora esse potencial em particular tenha sido historicamente ofuscado.
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