Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
Uma PoéTica da Corporeidade
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Assim como as agulhas de tricô que, ao se entrelaçarem umas sobre as ou – tras, constroem uma tessitura, a conceituação de corpo entretece modos de olhar, perceber e nomear que possibilita ou impede que um horizonte de experiências e de escuta do corpo se viabilize. Essa composição se dará não só pelo jogo das linhas entrelaçadas – aquilo que apreendemos e que compõe a trama significante que sustenta nosso experienciar, mas também pelos vazios – aquilo que, recalcado, ou ainda, não nascido, se inscreve como marca, ponto de concretude inassimilável. Nesse sentido, a conceituação de corpo se efetiva tangenciando os vazios e os recalques de cada cultura, bem como de cada prática e dos sujeitos nela envolvidos. Sabemos sobre os vazios que deles nasce o tropeço que permite a queda e com ela, a possibilidade do trânsito, condição para que os enlaçamentos se derivem em tecido. Arrisquemos um passo-tropeço/pas de sens… Trabalhemos esse risco/corte em que o corpo, longe de unidade, é costura de inacabamentos, é urdidura que contorna o vazio de uma “lembrança sem lembrança”. Interroguemo-nos sobre seus “fantasmas clandestinos”, sobre o nó do que se diz, do que não se diz e sobre o que se denega. Interroguemo-nos, sobretudo, sobre esse nó que é emaranhado de traços inassimiláveis, uma espécie de cicatriz que marca qualquer coisa impossível de ser traduzida e reconhecida a partir dos recursos que temos em mãos. A proposta desse livro, ao se interrogar sobre a poética da corporeidade tendo como operadores a pulsão e o vazio, não é a de se furtar a interpelar sobre os modos como determinada ordem do discurso na contemporaneidade nos implica como criadores em nossas salas de trabalho. Contudo, reside nele a aposta de formular essas questões também por uma via negativa: De que corpo não se fala? De que incidências corporais se foge? De qual corpo não se quer saber?
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