Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
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Em seus últimos anos de vida, recluso em Aix-en-Provence, no sul da França, e dedicando todas as suas energias à pintura, Paul Cézanne (1839-1906) vive uma das mais belas, profundas e vigorosas aventuras da arte moderna, influindo de maneira decisiva no rumo das artes plásticas do século XX e descortinando possibilidades que, ainda hoje, estão longe de terem se esgotado. Michael Doran, pesquisador do prestigioso Courtauld Institute, de Londres, coligiu, comparou, reuniu e anotou, em Conversas com Cézanne, os principais testemunhos daqueles que conviveram com o pintor entre 1894 e 1906, e registraram não só a forma e o conteúdo de suas conversas, a veemência de seus pontos de vista, a originalidade de suas concepções, mas também seu cotidiano, seus hábitos e idiossincrasias, seus procedimentos diante do motivo pictórico e até a ordenação das cores em sua paleta. Por meio de cartas, artigos de jornal, relatos de conversas e ensaios críticos e biográficos, Conversas com Cézanne traça o retrato vivo de um gênio ao mesmo tempo emotivo e arredio, ardente e cerebral, dado a explosões de cólera ou de generosidade, com um amor desmedido à vida e à pintura. A um só tempo sábio, decidido, mas profundamente desconfiado de si e dos outros, “o Cézanne que emerge destas conversas e testemunhos é” — no dizer de Paulo Pasta que assina o posfácio deste livro —, sem dúvida alguma, “a figura excepcional da pintura moderna”.
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Considerado um dos maiores especialistas na obra de Cézanne, o historiador da arte Peter Michael Doran, nascido em 1930, trabalhou como bibliotecário no célebre Courtauld Institute of Art, de Londres, na Inglaterra, na década de 1970 — período em que realizou suas pesquisas em torno da obra e das concepções estéticas do pintor francês, que culminaram na publicação de Conversations avec Cézanne, pela editora francesa Macula, em 1978, obra depois traduzida para o inglês, o italiano e o espanhol. Posteriormente, Michael Doran desenvolveu uma carreira própria como artista, tendo falecido em 2006.
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