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A guerra entre o papel e a tela não tem um vencedor único, depende do leitor e do contexto. Conheça os prós e contras de cada formato e como tirar o melhor dos dois.
Deleuze e os Herdeiros de Spinoza
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O tempo atual demanda um esforço brutal na direção da busca de fendas reconstrutoras de paisagens, brechas inspiradoras de novas geografias, becos produtores de oxigênio, buracos criadores de armas, vazios preenchidos de um vitalismo espaçoso... E por que falo de esforço? Porque estamos muito cansados. Fadigados das novas formas de tirania contemporânea: informações inócuas, comunicações nocivas, relacionamentos hostis, solidões solitárias, enfim, o reino da doxa em ascensão deliberada. A fundamental imagem de uma “solidão povoada” apregoada por Deleuze é feitiçaria para alguns de nossos contemporâneos. Daí o nosso cansaço. Esse cansaço, então, torna-se um indício de que uma estratégia possível é encontrada nas sábias palavras de Lawrence: “recuar para melhor saltar”. O ato de recuar já é uma arma. Fugir para buscar uma arma. Recuar é arma. Recuar e pensar. Recuar afirmando o vitalismo. Recuar, pensar, vitalizar-se, armar-se, amar-se... O livro organizado por Ester Heuser é uma dessas ferramentas fulcrais a serem utilizadas no recuo. Os autores demonstram com grande inventividade a importância desse ato a que me refiro graças a Lawrence. Cada um dos textos apresentados nesta obra vai compondo de forma plástica um mosaico de forças no/do pensar, armando mundos a-sistêmicos, tempos fora do juízo, vida que vibra vida na luta por a-espaços, corpos que subsistem sem espírito porque o espírito está doente, como afirmava Antonin Artaud. Este livro é arma porque se localiza entre a Filosofia e uma “espécie” de Educação. Educação entendida fora do juízo é Educação que desconfia de sistemas, de modelos e de moldes, é Educação-Modulação. Educação que, alimentada pela Filosofia, potencializa o aprender só (em companhia). Educação Filosófica e Filosofia Educativa, por serem de ordem prática, afirmam o vital, fazem cintilar Vidas. Isso é Spinoza. Para ele, vida não é ideia ou teoria, mas um modo de Ser. Esse modo de Ser está diretamente relacionado a princípios de autorrealização e autoatividade – sinto e experimento minha eternidade na imanência, fora dos regimes extensivos que estão em jogo. As armas, enfim: Filosofia e Educação como formas coletivas de Vida. Gláucia Figueiredo Doutora em Educação pela Unicamp – Universidade de Campinas Pesquisadora convidada no Departamento de História e Filosofia da Educação da Universidad de la República (UdelaR-Uruguai).
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