Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
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Ninguém pode dar um mergulho profundo no Brasil das décadas de 60, 70 e 80 do século passado sem ler os romances de Antonio Callado. De Quarup, de 1967, a Concerto carioca, de 1985, os livros de Callado registram os caminhos do país durante 20 anos. Do bate papo politizado nos bares da Zona Sul carioca às guerrilhas rurais. Do papel de parte da igreja católica na resistência aos anos de chumbo até os sequestros de embaixadores que aconteciam periodicamente. Do retorno de exilados políticos aos primeiros sinais de abertura até a chegada dos ventos da redemocratização. Está tudo lá. Muito se escreveu sobre esses tempos. Quase sempre foram relatos memorialísticos ou, em outras palavras, escritos com a segurança que só a passagem do tempo traz. Callado escreveu seus romances enquanto o Brasil fervia. Os pensamentos que expõe na obra deste período eram percebidos por ele enquanto estavam acontecendo. Seus personagens podiam ser um vizinho, um amigo, um parente próximo do leitor. Já foi dito que Concerto carioca é romance urbano por excelência do autor. Ambientado no Rio de Janeiro, sem que seus personagens viagem para o Xingu ou para a fronteira com a Bolívia, como em textos anteriores, ele fala do Leme, da Rua Senhor dos Passos, do Humaitá. Mas é significativo que um de seus protagonistas seja o Jardim Botânico, e um de seus cenários, o Museu do índio. O Brasil em processo de redemocratização era um Brasil novo. E, por isso mesmo, sempre surpreendente. Como este Concerto carioca.
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