Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
Archie Shepp–Bill Dixon Quartet, Helsinki, 1962
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Em 1966, o saxofonista Archie Shepp declarou: “O jazz é anti-guerra; é contra a guerra no Vietnã; é a favor de Cuba; é pela libertação de todos os povos. Essa é a natureza do jazz. E isso não é exagero. Por quê? Porque o jazz é uma música nascida da opressão, nascida da escravidão do meu povo.” Essa leitura explosiva da música — e, em particular, do que se chamou de free jazz — serve de base para este livro. Voltado especialmente ao festival realizado em Helsinki em 1962 — a oitava edição de um encontro comunista da juventude que vinha ocorrendo desde 1947, seus editores, assumindo uma postura militantemente oposta àquilo que chamam de “prática acadêmica seca e preguiçosa da imparcialidade”, propõem-se a revelar uma história até então desconhecida: o núcleo comunista do free jazz. Com Shepp como farol, eles examinam a apresentação do quarteto Shepp–Dixon no festival como uma “manifestação singular” capaz de “distorcer todo o constructo ideológico do mandato político internacional do jazz” durante a Guerra Fria. Para essa empreitada monumental, o livro reúne depoimentos de vários participantes do festival — entre eles, o de Angela Davis, então uma estudante de dezoito anos em Paris. Esses relatos são acompanhados por um ensaio do editor Taneli Viitahuhta, que traça o histórico de um evento que reuniu mais de quinze mil pessoas durante duas semanas na capital finlandesa: mil delegados vindos da África, milhares de partidos comunistas da Europa Ocidental e muitos outros de diversas partes do mundo.
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