Os melhores livros de neurociência para leigos curiosos
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Dominique Wolton pode ser chamado, no melhor sentido da palavra, de visionário: quando a internet estava em fase de popularização, nos distantes anos 1990, ele já avisava: “Precisa regulamentar”. Muita gente não entendia o que ele queria dizer. Era o tempo da utopia do tudo gratuito e livre na rede. Trinta anos passados, ele pode dizer que estava certo desde o começo. Ele também sempre defende que democracia, bem público e comunicação não se separam. Aliás, não se cansa de mostrar que a comunicação é mais complexa e mais importante do que a informação. A comunicação é a relação com o outro. É disso que trata neste pequeno e consistente livro, Comunicar é negociar. Três eixos são abordados detalhadamente: comunicação, incomunicação (que caracteriza como dificuldade de comunicação) e acomunicação (neologismo com o qual define a ausência total de comunicação). O leitor vai encontrar, portanto, um elogio argumentativo da diversidade, do pluralismo e da tolerância. A dificuldade de comunicação pode ser um poderoso estímulo para a comunicação. A construção da União Europeia é o exemplo mais acabado usado pelo autor. Países que discordam em quase tudo unidos pela necessidade de fortalecimento e pelos ganhos do compartilhamento. Neste volume denso, Wolton prova que menos pode ser mais. Cada capítulo, que pode ser um artigo retomado de alguma edição de Hermès ou de outra publicação, aprofunda um tópico e amplia o horizonte da reflexão. A unidade impressiona. No fundo, Dominique Wolton trata do problema essencial das sociedades atuais: como conciliar tantas diferenças legítimas? Dito de outro modo, como equilibrar antagonismos? Ou como conviver sem anular a identidade do outro nem ser atropelado por ela? O aprendizado da convivência passa pela capacidade de negociar. Evidentemente que negociar significa ter direito a voz, mas também saber ouvir, algo que frequentemente se apresenta como mais difícil. Quem não quer ter suas reivindicações aceitas? É fundamental, porém, saber fazer concessões. Negociar é se abrir ao possível, mesmo improvável, o ponto futuro da mudança.
Doutor em sociologia, Dominique Wolton é diretor de pesquisa do Centro Nacional da Pesquisa Científica (CNRS), onde dirige, desde 2000, o laboratório de 'Informação, Comunicação e Implicações Científicas'. É diretor da revista científica Hermès, e um dos grandes especialistas europeus em política e comunicação. Escreve regularmente, entre outros, para os jornais Le Monde e Libération. Elogio do grande público (Ática, 1996), Pensar a comunicação (UNB, 2004), É preciso salvar a comunicação (Paulus, 2006.
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