Os melhores livros de ficção para quem quer começar a ler
Se você quer entrar no mundo da ficção mas não sabe por onde começar, esta lista é para você. Selecionamos livros envolventes, acessíveis e impossíveis de largar.
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A meta deste livro é discutir o que foram as sociedades supostamente “socialistas” do século XX e o que resta delas no presente. O autor chegou a este tópico por um caminho específico, focando-se na dimensão política, o que lhe permitiu uma caracterização ampla. O tipo de sistema social discutido aqui é chamado de “coletivismo autoritário”, que se fundava na estrutura do partido-Estado e no centralismo democrático, configurando um sistema de domínio. De modo geral não sobreviveu até o século XXI, embora em alguns casos a dimensão política específica e, em certa, medida seu Estado tenham sido retidos na transição para uma variante de capitalismo na qual os direitos dos cidadãos são secundarizados, reproduzindo o arcabouço do sistema de domínio anterior. O sistema político fincado em seu centro ganhou uma sobrevida ao combinar-se com uma espécie de capitalismo calcado no Estado, reminiscente de uma fase anterior da modernidade – organizada pelo Estado –, com a qual o dito “socialismo real” possuía importantes afinidades. Foi então que esse tipo de sistema social mais claramente revelou o quão distante estava do socialismo propriamente dito, malgrado a palavra “socialismo” ser usada para defini-lo. Uma preocupação subjacente a este livro é a validade e a possibilidade do socialismo como um horizonte de possibilidades, que devem ser em larga medida inéditas – em especial face a seu fracasso histórico nas roupagens do socialismo real ou, como prefiro chamá-lo, coletivismo autoritário. Tem havido certo diálogo tenso e por vezes um debate feroz entre o liberalismo, para não falar do fascismo, e o socialismo, incluindo o comunismo. O socialismo e o comunismo ansiavam por deixar para trás a modernidade, substituindo-a por uma sociedade verdadeiramente “emancipada”. O que ocorreu na prática é o que é investigado aqui, porquanto, para destravar o futuro, seja importante considerar o que aconteceu com o projeto de sociedade emancipada que o socialismo e o comunismo – assim como o anarquismo – lutaram para realizar, não obstante a improbabilidade de movimentos efetivos hoje na direção da construção de uma sociedade socialista.
Doutor em Sociologia pela London School of Economics and Political Science (LSE), trabalha com teoria social, teoria crítica e sociologia política. Recebeu o prêmio Annelise Maier de Pesquisa da Fundação Alexander von Humboldt (2018-2023). É co-coordenador do Núcleo de Estudos em Teoria social e América Latina (NETSAL) e membro do Observatório Interdisciplinar da Mudança Climática (OIMC) da UERJ. É co-coordenador do Grupo de Trabalho de CLACSO em Teoria social y realidad latinoamericana. Seus últimos livros são Authoritarian Collectivism and ‘Real Socialism’: Twentieth-century Trajectory, Twentieth-first Century Issues (Londres: Anthem, 2021), Critical Theory and Political Modernity (Nova York: Palgrave, 2019), versão em português como Teoria crítica e modernidade política (Rio de Janeiro: Editora PUC Rio e São Paulo: Hucitec, 2021) e Emancipação e história: o retorno da teoria social (Rio de Janeiro: Civilização Brasileira), versão em inglês como Emancipation and History: The Return of Social Theory (Leiden: Brill, 2017).
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