Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
O smartphone acabou com nossa capacidade de atenção, ou será que não? Técnicas comprovadas para ler com profundidade mesmo quando o cérebro insiste em pedir estímulo a cada minuto.
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COISAS QUE NÃO IMPORTAM compreendem três longos contos ou três novelas mais ou menos anãs”, como registrei na apresentação, “em que gatos sustentam estantes e abocanham codornas, em que ratos se lambuzam de chocolate e ascendem à hierarquia daqueles que se supõem donos do mundo”. BAMBINAS veio à tona a partir da falência de uma empresa de ônibus. A realidade instiga a ficção e o afastamento de duas irmãs gêmeas. Uma delas, linda e longilínea, segue com a mãe para Lucca, na Itália; a outra, sardenta e gorducha, fica com o pai na Barra Funda, lendo, escrevendo e ajudando a avó a fazer nhoque. Os laços sanguíneos são rígidos e invisíveis, principalmente quando em cada ponta há diversidades que se atraem como ímãs e também uma avó que rodopia no fio de pensamentos, tornando o tempo uma corda bamba. ESTOURO aconteceu no Rio de Janeiro e as intrigas de quatro famílias se interceptaram. Dez minutos preciosos cada uma delas teve para resgatar dos escombros de um prédio de cinco andares, que pegou fogo, suas essencialidades, afetos, lembranças inesquecíveis. Um escritor, uma sobrinha mal agradecida, um marido infiel, uma avó novamente. As palavras brincam de tornar o texto compatível com a tragédia e se tornam mais herméticas aqui, quase descabeladas. Finalmente, em UM PREGO NA PAREDE, pintura e literatura dialogam em três momentos diversos: três Noras. A mais longínqua, do tempo de Sisley – o pintor amigo de Monet - em Argenteuil, perto de Paris; a segunda, mais recente, aprendiz de pintura na virada do século XXI em São Paulo e por fim a última Nora, também francesa, tentando preservar uma tela impressionista que lhe coube como herança de sua bisavó. Desafio para as palavras que devem fundir tudo isso e se colocar de maneira coerente e compatível com a velocidade do progresso e da coisificação do homem.
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