Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
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A pergunta que ocorre de maneira sutil, a cada despedida: quando novamente? Ela não incomoda, não cobra exigências, mas desponta irrevogavelmente na derradeira noite, na primeira aurora do dia em que partimos. É uma pergunta complexa, não se trata de pensar apenas na tessitura das cores, nos aromas, na magia infinita do lugar, mas principalmente, na subjetividade experimentada, que diz respeito à relação muito particular com o calor humano, com a solidariedade que se mescla aos gestos de amor. Com as palavras que alimentaram a alma, descreveram histórias, formularam os pequenos mistérios revelados na cozinha, nos cafés, nos silêncios cúmplices ao longo das caminhadas sob a neve… Quando novamente? Ao todo, temos 56 narrativas sobre os acontecimentos cotidianos, que, na primeira metade da obra, descrevem um conjunto dissonante de expectativas, desejos, gestos harmoniosos, delineados pela condição humana; e, na segunda metade, narram os tons mais sofridos, as angústias e tensões que nos inquietam. Instantes observados, apreendidos, descritos amorosa ou dolorosamente: a rudeza da noite no espaço urbano, um passeio à beira-mar, o sepultamento da avó, a carona na companhia de um líder muçulmano, a complexa relação entre pai, filho e avô, o arrependimento após a contratação de um pistoleiro. Nada que pretenda ir além das convenções silenciosas, ou da mera possibilidade do imaginário. Temos aqui uma sucessão de narrativas que testemunham a presença do ser humano como protagonista de seus atos.
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