Ebook ou livro físico: qual é melhor para você?
A guerra entre o papel e a tela não tem um vencedor único, depende do leitor e do contexto. Conheça os prós e contras de cada formato e como tirar o melhor dos dois.
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Vida e morte pulsam neste livro com igual intensidade, tal como pulsam dentro de nós. Nesta quinta coletânea poética de Guilherme Gontijo Flores, carvão : : capim, esses dois elementos quase contraditórios funcionam, conjuntamente, como um símbolo do ciclo da vida. Dividido em quatro partes, articuladas por dois poemas centrais que reinventam o famoso quadrado mágico poético “Sator/Rotas”, o livro parte de uma “Petrografia esparsa”, com poemas de cunho social, aludindo às tantas mortes que marcaram e continuam a marcar o solo da nossa história. Em seguida, “História dos animais” propõe uma zoopoética que não deixa de enxergar a beleza da morte iluminada, por exemplo, numa pedra de âmbar. Já “Quatro cantatas fúnebres” traz, entre outros, poemas dedicados à guerrilheira Dinalva Oliveira e ao poeta e revolucionário salvadorenho Roque Dalton, ambos assassinados por motivos políticos. É sobre esse chão de morte que o livro grassa, indo e voltando sempre ao tema da morte, para desaguar na parte final, “Lo ferm voler” (referência a um verso do trovador provençal Arnaut Daniel), onde o impulso lírico-amoroso vem reafirmar a vida, o viço e a vontade: “Como quem vê no céu/ que estrelas faltam/ achar em cada falta/ seu desejo/ & assim deliberadamente/ desastrá-lo”.
Guilherme Gontijo Flores nasceu em Brasília, em 1984. É poeta, tradutor e professor na Universidade Federal do Paraná. Publicou os livros de poemas brasa enganosa (2013), Tróiades (2014), l’azur Blasé (2016) e Naharia (2017), que formam a tetralogia de Todos os nomes que talvez tivéssemos. Como tradutor, publicou, entre outros, A anatomia da melancolia, de Robert Burton (4 vols., 2011-2013), Elegias de Sexto Propércio (2014) e Safo: fragmentos completos (2017). Foi um dos organizadores da antologia Por que calar nossos amores? Poesia homoerótica latina (2017) e publicou o ensaio Algo infiel: corpo performance tradução (2017) com Rodrigo Gonçalves. É coeditor do blog e revista escamandro: poesia tradução crítica escamandro. Nos últimos anos tem trabalhado com tradução e performance de poesia antiga, integrando o grupo Pecora Loca.
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