Literatura brasileira: os clássicos que todo leitor deveria conhecer
A literatura brasileira produziu obras extraordinárias que dialogam com o melhor da literatura mundial. Um guia pelos clássicos essenciais, do Romantismo ao Modernismo.
A Sabedoria dos Terreiros
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Mãe Beata reúne em livro os seus “contos de senzala”, histórias que ela ouviu um dia, não se sabe onde, transcorridas em um tempo que não se pode precisar quando... Parte do legado cultural africano em terras brasileiras, os seus contos constituem um conjunto heterogêneo e harmonioso de histórias criadas, recolhidas ou reinventadas por ela. Elas soam como se narradas por uma preta-velha à beira de uma fogueira, numa clara noite de lua cheia, porque reavivam a memória das culturas dos antepassados, a exemplo dos griots, contadores de histórias da África que são os museus vivos de suas comunidades. Como eles, Mãe Beata vem, nos seus momentos de lazer e descontração, contando suas histórias para crianças e adultos, num autêntico processo de transmissão oral da cultura afro-brasileira. Os contos deste livro são parte intrínseca da tradição oral afro-brasileira, ainda tão pouco documentada como literatura escrita, apesar de tão presente na imaginação de tanta gente. A autora escreve com a simplicidade de quem conta histórias vividas e, com a cumplicidade de falar para um ouvinte entendedor do sentido mais profundo de suas palavras, faz o leitor sentir-se, vezes, na posição do coparticipante da narrativa. Zeca Ligiéro Doutor em Estudo da Performance New York University
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Mãe Beata de Yemonjá “Sou Negra, sou Mulher” Mãe Beata de Yemonjá (como é conhecida Beatriz Moreira da Costa) foi mãe de santo, escritora e artesã. Nasceu em 1931, em Cachoeira do Paraguaçu, no Recôncavo Baiano. É filha de Maria do Carmo e iniciada no candomblé por Mãe Olga do Alaketo em Salvador, em 1956. Chegou ao Rio de Janeiro em 1970, mas se estabeleceu em Miguel Couto, Nova Iguaçu, RJ, em 1980. Fundou o Ilê Omi oju Aro – Casa das Águas dos Olhos de Oxossi – em 1985, comunidade de terreiro que fortalece a cultura afro-brasileira através de projetos coletivos e comunitários, que se tornou Ponto de Cultura em 2010 e foi tombado pelo IPHAN, em 2015, como Patrimônio do Estado do Rio de Janeiro. Foi uma das integrantes do ICAPRA, Instituto Cultural de Apoio e Pesquisa das Religiões Afros, presidente da Ong Criola (organização de mulheres negras que atua contra o racismo e o sexismo), integrante do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher – CEDIM, conselheira do Projeto Ató Ire – Saúde dos Terreiros e, também, da Ong Viva Rio. A nova edição deste livro é uma homenagem a uma das personalidades mais expressivas do candomblé e uma das vozes mais importantes da cultura negra no Brasil: essa filha de Exu e Yemanjá que lutou pela educação, saúde, meio ambiente, pelas tradições africanas, ações afirmativas, pelos direitos humanos e movimentos de mulheres negras.
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