Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
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Poeta e militante do movimento surrealista, Benjamin Péret esteve no Brasil e participou de cerimônias ligadas às religiões de matriz africana sob a tutela de Tio F. e Mãe M. Dessas experiências, surge o livro Candomblé e macumba, com tradução de Bruno Costa, que contém catorze reportagens originalmente publicadas entre 1930 e 1931 no jornal paulista Diário da Noite. Com espírito investigativo e profundo respeito pela riqueza simbólica das manifestações religiosas que presenciou, Péret registra aspectos da cosmologia dos orixás, da ancestralidade, das cerimônias religiosas e da vida cotidiana das comunidades que preservam essas tradições. Ao combinar o interesse etnográfico com a sensibilidade poética de um dos nomes mais importantes do movimento surrealista, a obra oferece aos leitores uma perspectiva singular sobre o encontro entre cultura, espiritualidade e resistência, contribuindo para ampliar o reconhecimento das religiões de matriz africana na formação cultural brasileira. Leitura fundamental para quem se interessa por cultura brasileira, religiões afro-brasileiras e história social, o livro de Benjamin Péret permanece atual ao destacar a importância de preservar e compreender as tradições que compõem a diversidade religiosa do Brasil. A edição conta ainda com um cuidadoso aparato de notas e comentários que explicam e detalham os elementos religiosos, textuais e históricos da obra.
Benjamin Péret (1889–1959) foi um dos mais importantes poetas franceses do século XX, sendo um dos fundadores do movimento surrealista. Teve destacada atuação política e dedicou grande parte de sua vida a temas cruciais da sociedade, denunciando a barbárie “civilizatória” e o obscurantismo. Casado com a cantora lírica brasileira Elsie Houston, residiu no Brasil de 1929 a 1931, aproximando-se do movimento antropofágico e da esquerda trotskista, sendo expulso do país por Getúlio Vargas. Em Paris, conhece Remedios Varo, com quem se muda para o México em 1941, fugindo da ocupação nazista. Em sua segunda vinda ao Brasil, de 1955 a 1956, realiza expedições em diversas comunidades ameríndias. Retorna para Paris, onde mantém as atividades do grupo surrealista até sua morte.
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