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Uma Viagem de Bicicleta Pela Costa Oeste da Lagoa dos Patos - Rio Grande do Sul, Brasil
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Em maio de 2024, o Rio Grande viviu a maior tragédia climática de sua história. Cerca de três meses depois, os jornalistas Eduardo Seidl e Raphaela Donaduce Flores percorreram de bicicleta o caminho que as águas fizeram, a partir do Guaíba até encontrar o mar, na Praia do Cassino. Em oito dias, foram cerca de 500 quilômetros pedalados, contornando a costa oeste da Lago dos Patos, com paradas nas cidades de Barra do Ribeiro,Tapes, Arambaré, São Lourenço, Pelotas e Rio Grande. Narrado em forma de diário de viagem, numa expedição-resistência à velocidade e ao consumo, os viajantes percorrem o território, documentando as marcas deixadas na paisagem e na vida da população. Projeto O projeto Caminho das águas — as marcas deixadas pela enchente de 2024 na costa oeste da Lagoa dos Patos foi contemplado pelo Edital Sedac Pnab RS — 26-33/2024 — Memória e Patrimônio. Além da publicação do livro, com distribuição gratuita para instituições culturais e de ensino, o projeto conta com o site pedalcaminhodasaguas.com.br, no qual é possível encontrar o conteúdo completo do livro com audiodescrição. Há também o perfil no Instagram @pedalcaminhodasaguas. Trecho: Já era julho. A água havia recuado, as chuvas fortes cessaram e, mal ou bem, os gaúchos seguiram acordando e vivendo os dias. O que vem depois da chuva? Todos os anos, nas férias de verão e inverno, fazemos uma viagem de bicicleta. No ano anterior, pedalamos pelo Uruguai e Argentina. Em outras ocasiões, percorremos o litoral norte gaúcho. A viagem de 2024, no entanto, teria de ser diferente. Impossível não ser atravessada pelo que havia acontecido recentemente no estado. Sempre que choveu parou. A frase de esperança é um dito popular pelas bandas do Sul. Ouvimos na peça teatral Terra sem Mapa, de Mirna Spritzer e Sergio Lulkin, sobre memórias individuais e coletivas, inspirada no livro homônimo do uruguaio Angel Rama (1926-1983), de onde tiramos essa citação. Entre conversas e planos, decidimos fazer uma viagem vinculada ao que estávamos vivendo naquele momento. O nosso pedal seria dedicado a ver como estava a população atingida pela enchente. O plano era seguir de bicicleta o caminho que as águas fizeram, partindo do Guaíba e seguindo a Lagoa dos Patos até encontrar o mar, numa espécie de cortejo simbólico, tentativa de colaborar com a preservação da memória coletiva do nosso estado. De bicicleta, esse trajeto era inédito para nós. Começamos, então, a nossa pesquisa. Qual seria o nosso percurso? Quantos quilômetros faríamos por dia? Onde seriam as paradas? Como estariam as condições das estradas? E se chovesse no meio do caminho? Quais equipamentos levaríamos para os registros? Tínhamos oito dias para essa jornada e um desejo forte de fazer acontecer.
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