Como recomendar livros para amigos sem arruinar a amizade
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Quando Martha desceu as escadarias do colégio da Av. Higienópolis e entrou no táxi que a levaria para a sua nova casa, já sabia que estava entrando num mundo totalmente desconhecido. Martha era o seu nome cristão, não o que sua mãe escolhera. Ela se chamava Chaia Ozmo e nascera numa pequena vila do Império Austro-Húngaro. Com a morte da mãe, a criança e o pai — um músico judeu de grande talento e poucos recursos — abandonaram a Europa e se instalaram em São Paulo. Quando o pai morreu repentinamente e ela ficou sozinha, foi adotada pelas irmãs do Colégio Sion, uma escola para meninas ricas. Lá a Irmã Pauline, uma freira francesa, se apegou à órfã desamparada e se tornou sua orientadora e confidente. Quando saiu do colégio, Martha logo arranjou trabalho numa loja de música da rua São Bento. Foi lá que conheceu Augusto, um advogado filho de fazendeiros de café. Na Capital que crescia com rapidez e atraia gente do mundo todo, o relacionamento que se estabeleceu entre eles transformou a sua vida radicalmente. Porém, na madrugada de 5 de julho de 1924, a rotina da cidade foi quebrada com violência. Militares rebelados dispararam os seus canhões contra a metrópole ainda adormecida. Em represália, São Paulo foi severamente atacada pelas forças do governo federal e bombardeada continuamente durante três semanas. Um terço dos seus mais de 700 mil habitantes fugiu e quem não pode sair encarou um cotidiano de pavor. Por caminhos diversos, Martha, a irmã Pauline e Augusto enfrentam juntos esses dias tumultuosos em que a revolução tomou conta de São Paulo.
José Roberto Walker é historiador, escritor e produtor cultural. Autor de As Boas Famílias e os Outros – As elites de São Paulo e a greve geral de 1917 (Contexto, 2025) e do romance Neve na Manhã de São Paulo (Companhia das Letras, 2017), finalista do Prêmio São Paulo de Literatura e do Prêmio Rio de Literatura. Foi diretor da TV Cultura e realizou mais de cem documentários e gravações de espetáculos de música, ópera e dança para a TV. Como produtor cultural dirigiu importantes projetos, entre eles diversas edições do Festival de Inverno de Campos do Jordão e a exposição Cotidiano Vigiado - Repressão, Resistência e Liberdade nos Arquivos do Dops 1924-1983. Criou o projeto de instalação do Museu do Imigrante, além de inúmeras exposições em São Paulo. Dirigiu a Cia. Brasileira de Ópera e produziu as óperas La Cenerentola, com a OSESP, e L’Elisir D’Amore, no Theatro São Pedro. Recebeu o 14º. Prêmio Carlos Gomes em 2010 e o Prêmio APCA 2010 pela turnê nacional do espetáculo O Barbeiro de Sevilha, o Prêmio APCA 2016 na categoria Música Erudita e o Grande Prêmio da Crítica APCA 2017 na categoria Rádio.
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