Mangás e graphic novels: por onde começar e por que ler
Quadrinhos não são "coisa de criança". Mangás e graphic novels estão entre as formas narrativas mais inovadoras do século. Um guia para quem quer entrar nesse universo.
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“Bonito pra chover” era anúncio e promessa. Dizia do peso do céu e da esperança contida na espera. Assim são estes poemas: nuvens carregadas de passado que ainda precipitam. Dentro delas, Fortaleza, Guaramiranga, Ribeirão Preto — não como cidades, mas como vozes, gestos, respirações. Lugares onde o afeto criou morada. Onde as mãos dos avós sustentaram o mundo. Onde o quintal foi origem, e a terra, depois da chuva, voltou a escurecer. Os avós atravessam o livro como raiz profunda. Estão no cheiro da terra molhada, no bolinho de polvilho feito sem receita, no tempo demorado das coisas cuidadas. São presença que não passa, memória que ancora. Eles estão também na dedicatória de Marisa, em Bonito pra Chover. Há flamboyants em flor, amigos de rua, ventanias súbitas, chuvas sem aviso. Há um sertão aprendido pelo afeto, não pelos mapas — reconhecido no gesto, no olhar atento, na escuta paciente. Tudo pulsa com a delicadeza do que foi vivido sem pressa. Também há as partidas. Os filhos que seguem o próprio caminho e não partem: apenas mudam de lugar dentro da saudade. Uma saudade que não clama, que aprende a morar junto. Porque quem amamos nunca sai do coração — apenas se rearranja nele. Ler Bonito pra Chover é entrar nesse tempo suspenso em que o céu escurece e tudo aguarda. Aguarda a chuva. Aguarda a memória cair. Aguarda que algo em nós também se reconheça molhado. Este livro é abrigo. E é promessa. Conheci Marisa nos idos da década de 1960, de longe, na Fortaleza ainda provinciana e encantada. Eu, adolescente; ela, menina graciosa, filha do conceituado médico Dr. Wander Biasoli e de dona Eunice — anjo miúdo que, como dizia o pai, lembrava os querubins da Madona Sistina, de Rafael Sanzio. Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg Escritora e historiadora
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