Mangás e graphic novels: por onde começar e por que ler
Quadrinhos não são "coisa de criança". Mangás e graphic novels estão entre as formas narrativas mais inovadoras do século. Um guia para quem quer entrar nesse universo.
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Uma homenagem à cultura do fanzine e um manifesto contra a opressão, os regimes autoritários e o consumo de massa Em um futuro distópico não tão distante, publicar revistas independentes se tornou um crime. Publicar sem autorização do governo é motivo de perseguição, e só editoras credenciadas podem colocar livros no mundo. O que parece distopia é o ponto de partida de Blackbird , graphic novel poderosa de Pierre Maurel que presta homenagem à cultura do fanzine enquanto faz um alerta urgente sobre liberdade de expressão. No quadrinho acompanhamos um grupo de skatistas transformados em criminosos por editar um zine. Para combater a censura, eles partem para o ativismo político e promovem ações midiáticas com o intuito de questionar o novo status quo e restabelecer a liberdade de publicação, enquanto são perseguidos pela polícia e veem um dos seus integrantes assinar um contrato com uma grande editora e deixar o grupo para realizar o sonho de editar seu álbum autoral. Blackbird parte de um cenário distópico, mas reflete dilemas muito reais. A obra se inspira na lei Lang, aprovada em 1981 na França e ainda vigente, sobre o preço único dos livros para proteger livreiros independentes que competem com grandes cadeias. A lei obriga os livreiros a respeitarem o preço fixado pelo editor, com descontos reduzidos no primeiro ano de publicação, e há algum tempo vem sendo discutida também aqui no Brasil. Na HQ, Maurel mistura habilmente esta realidade a um futuro autoritário, denunciando os seus males e descrevendo o colapso das liberdades que temos visto ao redor do planeta no nosso século. Manifesto em favor da liberdade de expressão, Blackbird é uma obra contra a opressão, os regimes autoritários e o consumo de massa, apresentada com um traço elegante e grande sutileza narrativa. Publicada originalmente em formato de fanzine, entre 2008 e 2010, Blackbird tem raízes profundas na contracultura dos quadrinhos franceses. Uma obra que celebra as brechas de liberdade que resistem mesmo sob vigilância e, por serem livres, secretas e inesperadas, nos dizem algo essencial sobre o mundo que nos rodeia.
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Ritmo tranquilo
13 dias
10 páginas por dia
Ritmo constante
7 dias
20 páginas por dia
Ritmo intenso
5 dias
30 páginas por dia
Nascido em 1977, Pierre Maurel vive e trabalha em Toulouse, França. Depois de ganhar a vida fazendo todos os tipos de trabalhos ingratos, ele se exilou em Bruxelas, Bélgica, por alguns anos para deixar as coisas se ajeitarem, depois voltou para Toulouse, onde deixou tudo transparecer nos álbuns de Michel. Três de suas histórias em quadrinhos, publicados pela editora belga L’employé du moi, Michel, 3 Déclinaisons e Michel Fils des Âges Farouches, foram indicados ao Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême em 2007, 2009 e 2019. Saiba mais em instagram com/pietervanmaurel.
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