Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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O livro, baseado em fatos reais, descreve um dia na vida da autora que, resgatando a memória afetiva, percebeu o quanto os seus sentidos foram despertados na casa onde a avó morava. Uma infância presenteada com cores, aromas, sabores e afetos. O título se refere a uma das atividades feitas pela avó, o bico de crochê feito no pano de prato. Certo dia, menina pede à mãe para dormir na casa da avó e ali colhe amoras e ajuda a fazer geleia, constrói um ninho para passarinho numa caixa de sapatos, enfrenta as maiores aventuras no quintal, ajuda a fazer um xale de “frivolité” para suas bonecas, combina o cardápio do almoço e ainda faz rosquinhas. À noite, faz cafuné na avó e acaba dormindo no sofá. E se é como diz o ditado, “avó é mãe com açúcar”, o açúcar cristal em que eram passadas as rosquinhas antes de irem ao forno dá um toque a mais ao livro. Trata-se de uma história muito terna, que mostra o quanto as duas pontas da vida, a velhice e a infância, podem se beneficiar com a convivência. Estudos científicos comprovam os benefícios da relação entre avós e netos, devido ao amor, apoio e ensinamentos que somente os mais velhos podem oferecer para os pequenos da família. As crianças se tornam mais bondosas, generosas e com menores taxas de ansiedade e depressão no futuro, além de ter melhor desempenho escolar, autoestima, inteligência emocional e facilidade em fazer ou manter amigos. Os avós ajudam os netos a entender e interpretar a história da família, ensinam e transmitem habilidades práticas e de conhecimento da vida, oferecem conforto, encorajamento e conselhos, nutrem e dão forma ao caráter e à personalidade de seus netos, podem organizar, facilitar e participar de atividades de lazer, encorajam fortes relações familiares e comportamentos interpessoais apropriados entre os membros da família. Os idosos também se beneficiam, com mais saúde psicológica, menos depressão, têm mais disposição sofrem menos de Alzheimer e de outros distúrbios cognitivos.
Cris Mazolla nasceu em Curitiba, em 1967. Formou-se em Arte mesmo e foi professora por muitos anos. Depois foi coordenadora e diretora de escola. Mesmo nessas funções, a arte sempre fez parte do seu cotidiano. Estudou, então, Arteterapia por entender que poderia ajudar as pessoas a serem mais felizes. Hoje ela atende muitos idosos nas próprias casas e pessoas de outras faixas etárias, em seu ateliê Accordare. É contadora de histórias, docente no curso de especialização de Arteterapia e adora brincar usando as palavras e as imagens em seus trabalhos.
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