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Mikhail Ossorguin e o Livro Perdido
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Por participar de algumas das mais importantes revoluções na Rússia do início do século XX, Mikhail Ossorguin foi preso diversas vezes e conheceu a realidade do exílio por duas delas, sendo sua última estadia em Paris. Traduzido diretamente do russo pelo professor e pesquisador Bruno Barretto Gomide, este livro traz reflexões de Ossorguin sobre a relação entre exílio, identidade, cultura e leitura, indicando, por meio de referências à história do livro russo e das edições em língua eslava, como os livros podem ser elos que nos interligam ao lugar onde nascemos e para o qual, eventualmente, não podemos mais voltar.
Mikhail Ossorguin nasceu em 1878, filho de uma pequena-nobreza de propensões intelectuais e atuação reformista junto ao reinado de Alexandre II. Depois de trabalhar em repartições moscovitas, engrossou as fileiras dos Socialistas-Revolucionários, às vésperas da Revolução de 1905. Pela participação nos preparativos da revolução, redigindo textos, organizando reuniões e dando guarida a companheiros de partido, Ossorguin conheceu a primeira das detenções que amargaria na vida. Solto sob fiança, partiu para um exílio de uma década, passada principalmente na Itália. Ao retornar, em 1916, encontrou a Rússia novamente convulsionada pela guerra e pelas jornadas revolucionárias de 1917. Como a maior parte da intelliguêntsia, Ossorguin encampou a revolução de fevereiro e posicionou-se contra as políticas dos bolcheviques, o que lhe valeu novas temporadas de cadeia, em 1919 e 1921. Em setembro de 1922, ele embarcou, juntamente com mais de uma centena de outros jornalistas, escritores e cientistas rumo a Hamburgo, no que ficou conhecido como “Navio dos Filósofos” (filossófskii parokhód). Alguns de seus companheiros de “Livraria dos Escritores”, como Nikolai Berdiáiev, estavam na mesma embarcação, preparada pelos bolcheviques, com ordem expressa de Lênin, para expulsar do país intelectuais indesejáveis. Ossorguin chegou afinal a Paris, aos quarenta e cinco anos. Faleceu em novembro de 1942.
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