Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Beto Bola, Beto Bala é o primeiro infantojuvenil do já reconhecido, experimentado e premiado contista Pedro Salgueiro. A obra nos apresenta, na mesma tela, as tintas coloridas de infâncias distintas, separadas não apenas por cercas vivas ou grades, mas pela concentração de renda, imersa em desigualdade e injustiça social, preconceito, violência e impunidade. Poderíamos até crer que tudo isso aconteceu ou que acontece como o abafado de todos os dias, tamanho o realismo descrito no cenário que abraça a sua trilha narrativa. Beto Bola, Beto Bala não tem príncipes, não faz doce, não esconde sujeira embaixo de tapetes – que nunca são mágicos –, mas, ainda melhor, nos faz refletir, provoca empatia, sensibiliza, comove, nos aguça os sentidos e abre os olhos muitas vezes indespertos pela necessidade de calar aquilo que desconhecemos, que nos desconforta ou que ousamos esquecer. A história de Beto e Bob pode ser a minha, a sua e de qualquer um, e a sua leitura é luz necessária à promoção de grandes e necessárias transformações. Raymundo Netto
Pedro Salgueiro nasceu no Sertão do Inhamuns (Tamboril, Ceará, 1964), publicou O Peso do Morto (1995), O Espantalho (1996), Brincar com Armas (2000; 2.ª edição/On-line, França: Éditions 00h00 .com, 2001), Dos Valores do Inimigo (2005) e Inimigos (2007), de contos; além de Fortaleza Voadora (2006), de crônicas, e Pici (2014), de pesquisa histórica. Prêmios: Academia Cearense de Letras, Ministério da Cultura/INL, Radio France Internationale – RFI (Prêmio da União Latina/Concurso Guimarães Rosa), Secretaria de Cultura do Estado do Ceará/SECULTCE, Secretaria de Cultura do Município de Fortaleza/SECULTFOR e Secretaria de Cultura de Sobral/CE (Prêmio Domingos Olimpio de Literatura). Contos publicados nas antologias Geração 90: Manuscritos de Computador – Org. Nélson de Oliveira (São Paulo: Boitempo, 2001), Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século XX – Org. Marcelino Freire (São Paulo: Ateliê, 2004), Contos Cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea – Org. Rinaldo de Fernandes (São Paulo: Geração, 2006), Quartas Histórias: contos baseados em narrativas de Guimarães Rosa – Org. Rinaldo de Fernandes (Rio de Janeiro: Garamond, 2006), Contos de Algibeira – Org. Laís Chaffe (Porto Alegre: Casa Verde, 2007), Todas as Guerras – Org. Nélson de Oliveira (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2009) e Assim Você Me Mata – Org. Cláudio Brites (São Paulo: Terracota, 2012). Edita, com outros escritores, as revistas literárias Caos Portátil e Para Mamíferos. Organizou, em parceria, o Almanaque de Contos Cearenses (1997) e O Cravo Roxo do Diabo: o conto fantástico no Ceará (2011). Seu livro Dos Valores do Inimigo foi indicado pela Universidade Federal do Ceará para o seu vestibular, em 2005 e 2006, e Inimigos foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura, da Câmara Brasileira do Livro, em 2008.
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