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As RebeliõEs Escravas do SéCulo Xix
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História e reportagem se aliam em um abrangente apanhado dos levantes que ajudaram forjar a Bahia que conhecemos hoje O estado da Bahia abrigou uma das maiores confluências de negros escravizados do Brasil colonial, junto com Rio de Janeiro e Pernambuco. Nenhum outro, porém, tem a herança africana tão flagrante em sua cultura e população. O que teria acontecido, sobretudo na capital, Salvador, de diferente dos demais lugares brasileiros que também passaram pelo processo de colonização perverso calcado na escravidão? Em Bahia de todos os negros , Fernando Granato correlaciona a preservação da ancestralidade africana na Bahia à altivez conquistada à força pelo povo negro. Salta aos olhos a grande quantidade de revoltas e rebeliões da população escravizada e dos afrodescendentes livres que marcou a história do estado — em comparação com outros territórios onde a população cativa também era numerosa, os registros baianos são surpreendentemente maiores. Tomando como fio condutor dois personagens cuja história de vida se entrelaça à dos levantes — o notório abolicionista Luiz Gama e sua mãe, Luíza Mahin, pouquíssimo estudada devido à falta de documentos que atestem sua trajetória —, o autor monta uma narrativa cronológica que não se atém apenas aos fatos, mas também explora seus contextos, cenários e personagens, a fim de aproximar ao máximo o dado histórico da vivência real. Fiel à historiografia oficial, acrescido de elementos de reportagem e calcado em atores cruciais para a construção social do país, Bahia de todos os negros joga luz sobre um passado indispensável à compreensão do presente — histórias reais que ajudam a pensar os dilemas de um Brasil que ainda precisa se conhecer.
Fernando Granato é escritor e jornalista, vencedor do Prêmio Imprensa Embratel e indicado ao Jabuti de Reportagem por suas publicações sobre a vida e a obra de Guimarães Rosa. Escreve para os cadernos de cultura do Estadão e da Folha de S.Paulo.
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